Acossada por todos os lados, pergunta a minha amiga BEBE, lá do outro lado do mundo, em Moçambique,que fez ela de mal para as suas amigas de juventude lhe cairem em cima, só porque disse que a festa que elas organizaram para recordar velhos tempo, lhe tinha parecido, na foto, um casamento. Manifestou a sua estranheza por não terem optado pela simplicidade. Mas a BEBE não explicitou a que «simplicidade» aludia. E elas cairam-lhe em cima, assumindo, para espanto da minha amiga, que a BEBE estava a criticar as suas ricas toiletes.
Inconformada com tal reacção, pergunta aos seus amigos e amigas, entre os quais me incluiu, onde está o crime de que a acusam. E eu respondi-lhe assim:
Olá BEBE
A confusão tem a ver com o facto de uma festa de casamento significar, também e sempre, uma exibição de toiletes. É tanto tradição como intenção. Sem se dar conta, a BEBE estava a comparar o convívio das amigas ao desfile das vaidades femininas que acontece sempre nos casamentos.
E eu aprecio estas "vaidades", quando elas fazem, mesmo, as mulheres mais lindas.
Estou a recordar-me da última festa de casamento, como convidado, vai fazer um ano em Setembro próximo. Uma segunda prima, jovem nos seus 20 anos, estava tão deslumbrante com o seu vestido «máxi» azul-escuro que eu tive que fazer-lhe um rasgado elogio, perguntando mesmo se ela é que era a noiva.
Mas também havia tanta mulher mal-vestida! A maioria, talvez. A minha estava como eu gosto de a ver, vaidosa, perfumada e meiga.
Não sei como se enfeitaram as suas amigas da Beira(portuguesa)... Mas bastou beliscar-lhes a vaidade no «seu casamento», para deixar tudo em polvorosa.
Eu já aprendi, à própria custa, que na idade e no trajar feminino só devemos tocar como quem acaricia uma flor...
Ainda há dias me apareceu aqui em casa uma senhora minha amiga, chorosa, porque fulana lhe havia dito que parecia uma velha de oitenta anos. E ela só tem sessenta e oito! Realmente, foi ofensa da grossa, apesar do ar abatido patenteado pela senhora, na altura em que foi mimoseada com tão inoportuno quanto enxovalhante «piropo». Tive que reparar os estragos, protestando mil vezes «que ela estava mais que bem para a idade, «nem parecia a idade que tinha». Mas acredito que a ferida vai doer por muito tempo.
Descubro um encanto que me encanta nessa vontade, até ao fim, de a mulher querer ser sempre jovem e bonita. Há-de ser, um dia, a realidade de todas e de todos. Apesar de eu estar bem consciente de que se trata apenas de uma parcela pequena do paraíso com que todos sonhamos.
Um abraço
Mário
terça-feira, 18 de maio de 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Olá Mário:
ResponderEliminarEste blog foi-me sugerido através do presidente da associação, o Sr. Augusto Castro.
Quando puderes vai ao outro blog tens lá um comentário meu dirigido para ti.
Olá Mário
ResponderEliminarVejo então que a partida é deveras definitiva, parece que não há retorno.
Mas o blog não vai ser o mesmo sem si. Traz ideias diferentes, coisas bonitas de se ler e de se pensar.
Fala em guerras de ideais. Mas não é isto que se verifica? Cada um é como é. Tem a sua opinião. Dentro disto há que respeitar sempre e volto a dizer sempre o outro, a dignidade humana.
Não, Teresinha, já não eram guerra de ideias. A essas nunca viro costas. Eram mesmo insultos, como pode confirmar. Chamar a um amigo, que foi lá fazer-nos companhia, «budista de meia tigela» não é expressar uma ideia. Nem tão pouco ler mal um texto meu e depois tratara-me "abaixo de cão". Literalmente. E do insulto pode passar-se, com facilidade, à calúnia.
ResponderEliminarNestes casos, o melhor mesmo é alguém abandonar o palco para que os ânimos serenem e a vida prossiga. Cada um para seu lado, como num divórcio, para que se salvem os divorciados.
Apareça por cá, sempre que quiser. Vou escrever do mesmo jeito. Nunca o tinha feito na vida. Agora ando a pôr tudo cá fora. Os meus filhos são os culpados deste blog. Há muito que me pediam esta página. Mas eu não queria deixar os carmelitas. Trago de lá a minha adolescência e a minha juventude, não arrumadas em prateleiras de arquivo ou gravadas em CD, mas em permanente on-line no prodígio que é o "corpo" da gente. Por isso mesmo, Teresinha, quem sofreu no seu passado, poderá sentir essa mesma dor no presente, enquanto permanecer ligado à corrente da vida. Mas como tudo só será definitivo quando ficarmos "desligados da corrente", o amor, a alegria e o sucesso sobrepor-se-ão à dor que carregamos, permanencendo em nós como lembrança já inócua. Mais ainda: quando o nosso presente é harmonioso, até as próprias lembranças de sofrimentos passados se transformam em suave nostalgia. Não digo que cheguemos a ter saudades de dores antigas, mas andamos lá por perto, reconhecendo que foram cimento nas fundações da pessoa que hoje somos.
A vida traz cada surpresa...