terça-feira, 15 de julho de 2025

 Passa o tempo 

O tempo é fio que passa
E se enrola em andamento.
É alegria ou desgraça
Conforme a roda que gira ...
O tempo é uma mentira
Que envenena o pensamento.

Ao romper da madrugada
Eram loucas esperanças
De uma agradável jornada !
Mas a noite logo veio ...
E do possível recheio
Só ficaram as lembranças.

Noites de tempo infinito
Onde repassa a história
De tudo o que foi escrito
No registo do passado
E que não foi apagado
Pelo tempo na memória.

Carrasco de sonhadores,
Assassino de ilusões,
Coveiro dos vencedores.
O tempo afaga e flagela,
Abre à vida uma janela
E mete a vida em caixões.

O passado é esquecimento,
O futuro é uma quimera.
Resta-nos esse momento
De um presente fugidio.
Pois  cortar do tempo o fio
Ainda ninguém o soubera.

O tempo é rio a correr
Da nascente até à foz.
Espalha alegria e sofrer
Dispensa calor ou frio
Sem nunca quebrar o fio ...
E quem quebra somos nós.