Passa o tempo
O tempo é fio que passa
E se enrola em andamento.
É alegria ou desgraça
Conforme a roda que gira ...
O tempo é uma mentira
Que envenena o pensamento.
Ao romper da madrugada
Eram loucas esperanças
De uma agradável jornada !
Mas a noite logo veio ...
E do possível recheio
Só ficaram as lembranças.
Noites de tempo infinito
Onde repassa a história
De tudo o que foi escrito
No registo do passado
E que não foi apagado
Pelo tempo na memória.
Carrasco de sonhadores,
Assassino de ilusões,
Coveiro dos vencedores.
O tempo afaga e flagela,
Abre à vida uma janela
E mete a vida em caixões.
O passado é esquecimento,
O futuro é uma quimera.
Resta-nos esse momento
De um presente fugidio.
Pois cortar do tempo o fio
Ainda ninguém o soubera.
O tempo é rio a correr
Da nascente até à foz.
Espalha alegria e sofrer
Dispensa calor ou frio
Sem nunca quebrar o fio ...
E quem quebra somos nós.
terça-feira, 15 de julho de 2025
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