quarta-feira, 19 de maio de 2010

A História e a Vida

Carta a um amigo, preocupado com as peripécias da minha saída do blog
aaacarmelitas.

Não se preocupe comigo, que estou muito bem. O que sinto por ter deixado aquele blog é uma mistura de alívio e de saudade. Aquele sítio tornou-se um palco confuso e até perigoso. Fui dar uma olhadela e agora vejo que me caluniam. Um anónimo a dizer que entrei como anónimo para bater no Jorge. O Jorge a dizer que insultei o nosso ex-confrade e bispo de Beja, D.Vitalino. Acredito que tenha lido o que lá escrevi e sabe que apenas confrontei o bispo com as suas ideias vazias de mensagem para os tempos que vivemos. E ele e os outros bispos ou não se dão conta ou fazem de conta que não vêem, nem ouvem. Quem quer calar vozes como a minha é porque não quer ouvir o outro lado, que é a voz da diferença, a voz da alternativa que se procura, para a mudança.
Mas eu não estou preocupado que as coisas levem o seu tempo, que as ideias façam o seu caminho. O que é preciso é colocá-las em cima da mesa e divulgá-las. Depois, é esperar que actuem como o fermento na massa, levedando-a, para ser o pão fresco de amanhã.
Um dia escrevi, no blog aaacarmelitas, que a História avança como um «rolo compressor». O conjunto da humanidade é esse rolo e ninguém o pára. Os obstáculos podem ser muitos e por vezes dar a impressão que «agora é o fim». Depois da tempestade vem a bonança e a História segue o seu curso. Os obstáculos são superados ou simplesmente esmagados, acabando por converte-se na massa compactada que é o «passado» e que nós estamos agora a revolver como nunca, para conhecer os passos dos nossos avós. Como historiador sabe como é emocionante "remexer" nesse passado, descrevê-lo e compreendê-lo como nunca havia acontecido. E os acontecimentos vistos à distancia dão-nos a perspectiva da Vida. Ficamos, realmente, mais humildes e sábios. E é nesse sentido que se pode dizer, com propriedade, que a «história é a mestra da vida».
Acima de tudo ficamos com a certeza de que as convulsões presentes são promessa de uma Humanidade melhor. E eu não me atreveria a dizer isto, se as actuais e cada vez mais completas descobertas, sobre a nossa História, não o demonstrassem à saciedade.
Um abraço amigo
Mário

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