quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quando a Terra se Apagar

Quem me conhece sabe que fui frade e quase padre. Mas acreditem que não venho para aqui armar-me em pregador Se quisesse ser pregador tinha permanecido frade. Além disso, os crentes já sabem, todos, o caminho direitinho para o céu. É certo que toda a gente deseja conhecer o caminho a seguir, se não for por outros motivos, sê-lo-á, pelo menos, para evitar contratempos. Não pretendo indicar esse caminho a ninguém e também não espero que mo indiquem a mim. Não é por má vontade, mas porque, simplesmente, não o conhecemos. Apesar disso, ainda vamos podendo dizer uns aos outros «olha que por aí não vais bem». E é tudo o que podemos fazer, enquanto caminhamos conscientes do nosso destino paradoxal. Com efeito, se é verdade que à superfície da Terra traçamos o percurso a seguir, com os zig-zagues todos que se conhecem, não é menos verdade que a Terra gira sobre si própria e à volta do Sol sem nos dar cavaco. Acendeu-se quando bem entendeu e há-de apagar as luzes, daqui a uns anitos largos, com indiferença majestática para com estes baralhados terráqueos.
Há dias, um cientista ligado à genética disse qualquer coisa como o nosso ADN estar a ficar demasiado igual e poder surgir o fenómeno de "consanguinidade" global. Nesse caso, a salvação da espécie humana consistiria em emigrar para outro planeta, onde «acasalássemos» com outra espécie (inteligente, soponho).
Até parece que a mãe Terra nos está a pôr fora de casa, com um pontapé no cu...
Sejamos um pouco mais poéticos: está, de facto, a empurrar-nos para fora do ninho, como fazem as avezinhas do céu aos seus filhotes "preguiçosos", para voarmos no espaço aberto, testando as lindas asas que entretanto nos foram crescendo.

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