Não preciso de corrigir, Limabar, porque é isso mesmo. Eu debato-me com o paradoxo do ser humano uno e integral em toda a sua dimensão "fisica" e "espiritual”, aceitando-o em vez de o negar ou tentar disfarçar. Só por uma questão de metodologia eu falo em duas dimensões, porque não faz sentido falar da frondosa copa de uma árvore como se aquela fosse capaz da sua manifestação exuberante sem a fecundidade essencial da humilde e obscura raiz.
Compreendo que «isto é de doidos», mas a evidência da unidade no ser humano impõe-se cada vez mais de forma avassaladora e não adianta negar a morte. Não adianta fazer da morte um «tabu». Não adianta «fazer de conta» que é com os outros seres vivos mas não é connosco, só porque atingimos o patamar invejável do pensamento consciente. Não adianta tentar esconder o longo percurso desde a "matéria" e para além dela, até à espantosa "organização" da primeira molécula e da primeira célula viva que se auto replica ou auto reproduz. Não adianta negar a historicidade da vida, nostálgicos do belíssimo mito bíblico de Adão e Eva.
Nos aceleradores de partículas a ciência da física procura os constituintes «primeiros» da matéria. Nos laboratórios da ciência biológica procura determinar-se como destes se transitou para a vida.
Na mente dos homens da ciência não estará o pensamento da negação da morte mas a vontade indómita de saber como emergiu a vida que somos. E reproduzi-la.
E fazem-no sem cuidar da situação paradoxal em fundo: evoluir da "morte", no sentido da «não-vida», para a vida.
Paradoxal, de facto, até que fique demonstrado que há mais «potencial», organização e complexidade no seio dos átomos que no “produto final” das circunvoluções do cérebro humano, a nossa maravilhosa mente consciente. Se tal for demonstrado, acaba-se o paradoxo de ser a «não-vida» (a “morte”?) a criar a "vida" dando, aparentemente, razão às correntes espiritualistas, quando afirmam que o "espírito" cria a "matéria", invertendo os acontecimentos, segundo a ciência actual. Como se a chama da candeia estivesse na origem do óleo e do pavio e a copa da árvore se antecipasse às raízes que a sustentam.
Não fora a «seta do tempo», que nos impõe o passado, o presente e o futuro e tudo isso haveria de parecer naturalíssimo…
Mas abstrair do tempo e do espaço é entrar num mundo que não é o palco onde se desenrola o teatro da nossa vida. Tem um nome bem conhecido - eternidade – e, cá por mim, não tenho pressa nenhuma de lá chegar
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
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