Transferi da caixa de comentários e coloco em post o comentário do Limabar
Mario, acabo de ler este teu “post” e apercebo-me que, afinal, o meu ultimo comentário, no “post” anterior, encaixaria aqui tal qual. Do que até agora pude extrair quando te leio, ressaltam dois pontos básicos, sobre os quais pareces centralizar a tua argumentação. Falo do conceito de “o homem integral e uno” e na crença irredutível de “uma vida para além da morte”.
Se me engano, corrige-me!
Permite-me, no entanto, expor, ainda que sucintamente, o que a vivência da minha “longa” existência, gravou nos centros cerebrais onde a razão opera. (A minha evidentemente.)
1 – Quanto ao “o homem integral e uno”, estou de acordo com a fórmula, mas não com a sua justificação.
O homem, basicamente, é um animal, igual a tantos outros, engendrado pela força criadora da natureza, durante a evolução da vida através dos tempos. A consciência, a capacidade de pensar, foi o “milagre” que, pouco a pouco, através de séculos de transformações e enriquecimentos, o vestiu deste capote que hoje o cobre, tecido de aquisições múltiplas e multiformes, herança acumulada da vivência de milhares de milhões de seres humanos, que com as suas vidas efémeras e obscuras, nos transmitiram os genes da evolução biológica e a acumulação da aprendizagem da vida pessoal, herança essa que, a pouco e pouco, foi alimentando o imenso caudal de transformações e conhecimento, inscritos nos genes e memoria colectivos da raça humana.
O homem é constituído de dois blocos inseparáveis: o corpo físico, visível e palpável, e o “centro metafisico”, espírito, alma ou mente, segundo a ideologia preferida. O corpo físico é o depositário da herança genética da evolução animal, o “metafisico” é o centro de aquisição, armazenamento e gestão da aprendizagem e vivências sócio-culturais. Nenhuma destas duas partes básicas do homem pode ter vida independente. Quando uma delas cessa a actividade, a outra é incapaz de continuar sozinha. É, então que homem volta à sua origem, “integral e uno”, sem esperanças de retorno, porque entretanto a natureza seguiu, indiferente, o ciclo inelutável da vida e da morte.
2 – Quanto ao segundo ponto de “uma vida para além da morte” é um apêndice do primeiro. É a resultante de aquisições do “centro metafisico” orientadas pelo sentimento, insustentável para eu consciente, de um fim inconfessávelmente absoluto e irreversível. A fé é assim uma muleta que ampara o homem na sua caminhada pela a terra, mas não o pode socorrer noutras paragens. Crente ou não crente, quando a barreira da existência é ultrapassada, o ser humano volta, inteiro, ao seu estado original, esse lugar indefinido que a inteligência humana não suporta: a não existência.
Claro é só a minha convicção!
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
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