quinta-feira, 1 de março de 2012

Ideias e Factos

Quando se fala em "aclarar as ideias", não se está a dizer tudo e sequer a falar do essencial. Na verdade, o que é mesmo fundamental é aprofundar os nossos conhecimentos em todas as "direcções" e só então tem lugar o esclarecimento das ideias, à luz dos novos factos. Este esclarecimento é sempre uma confrontação das novas ideias com as anteriores.
Na prática, significa que nós não andamos à procura de ideias novas mas de factos novos. Isto também quer dizer que o nosso conhecimento da realidade só avança, efectivamente, quando descobrimos novos factos. As ideias serão sempre, e sempre foram, interpretação dos factos. O processo nunca é o inverso. Ou seja, a ciência precede a filosofia. Podemos dizer que o primeiro momento da filosofia é a experiência dos sentidos, porque esta experiência nos proporciona a primeira informação.
Quando a filosofia quebra esta sequência do processo cognitivo humano, inventa uma transcendência, digamos, extra-sensorial e, por isso mesmo, extra-cientifica. Os "espiritualistas" dizem que é válido este salto no conhecimento humano e os seus contestatários recusam, liminarmente, dar-lhes razão.
Aqui chegados, está na hora de aclarar as ideias.
No meu entender, esta discussão (aclarar as ideias) faz-se à margem dos factos ou, simplesmente, a partir dos factos conhecidos (ninguém nega a gravitação dos astros e planetas) acerca do enigma persistente e inabarcável da REALIDADE.
Uma nova descoberta científica irá determinar uma nova interpretação da REALIDADE. Apenas "uma nova" interpretação e não a INTERPRETAçÃO.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

R. Dawkins versus Antony Flew

O amigo Lima, companheiro na Laje Negra, fez-me chegar um texto assinado por Henrique Raposo, onde põe em confronto aqueles dois epigrafados. Dawkins é um ateu de "pedra e cal" e Flew o ateu convertido a Deus. O primeiro nega Deus a partir da ciência e o segundo afirma Deus a partir da ciência. O H Raposo zurziu ambos impiedosamente, com os argumentos mais gastos que as solas dos sapatos de um peregrino que vai a Fátima a pé. Tenho presente, a esse respeito, a afirmação contundente de André Comte Sponville: "tanto aquele que diz "Deus não existe" como aquele que diz "Deus existe" é um imbecil que toma a fé por um saber".
A generalidade de filósofos e teólogos concorda que Deus não é objecto de saber mas de fé.
Porém eu penso que o problema está mais a jusante, pois trata-se em primeiro lugar de saber se, de facto, Deus pode ser um "objecto" para a fé, não o sendo "à priori" para a ciência. O H Raposo, quanto a isso é taxativo: "Deus e a fé não são temas para o bico da ciência".
E eu pergunto ao H Raposo, quem é que avaliza a verdade de tal afirmação e com que fundamento? Na verdade, se deixarmos, seja o que for, de fora do escrutínio da inteligência e da razão humana, só podemos estar a regredir no processo cognitivo, estacionando no sentimento e nas emoções, onde se inicia todo o processo humano do conhecimento. A fé será, então, circunscrita à emoção e ao sentimento, nunca atingindo a nobreza do acto humano por excelência, que é o pensamento consciente.
Isto quer dizer também, que os "raposos" da intelectualidade fazem tábua rasa dos mais recentes avanços da neuroiência na investigação sobre a génese do conhecimento humano.
Tentar subtrair a objectivação de Deus ao escrutínio da razão é admitir, subrepticiamente, que há uma "fonte oculta" no ser humano, de onde jorra a fé em Deus. Nunca o confessando, professam o dualismo cartesiano no ser humano.

Tudo isto podia não passar de uma discussão académica, pouco se distinguindo da discussão acerca do sexo dos anjos. Podia, mas não pode, porque as consequências práticas da fé em Deus, muito mais do que a negação de Deus, podem ser devastadoras, se deixarmos fora do escrutínio da razão um assunto tão sério como este acerca de Deus e da fé. Deixar Deus e a fé para "bico" da emoção e do sentimento é deixá-los entregues à irracionalidade. A história das religiões é elucidativa.

Foi neste sentido que eu comentei com o Lima, por e-mail, realçando que a fé em Deus determina uma ética que acabará sempre por ser imposta como tendo por fundamento o divino e a fé e, como tal, incontestável. Será também ela uma ética não escrutinável pela razão, baseada, em última análise, no sentimento e na emoção:
"Se ele, o Raposo, quisesse ser coerente ou simplesmente manifestar o seu pensamento, sem medo de ofender a "tradição", acabaria por deixar expressa a afirmação de um universo demasiado vasto e profundo para o génio humano e que, por isso, continuamos a chamar-lhe mistério ou enigma, apesar dos impensáveis avanços das ciências.
Isto não é nem teísmo, nem ateísmo nem agnosticismo: é, tão somente, lucidez.
As consequências de uma tal atitude mental seriam devastadoras para quem defende a "sua ética", como a ética fundamental. A honestidade intelectual perante o enigma que nos envolve recusa a "verdadeira ética", relativizando o que a "fé" considera como valor absoluto.

Num tal cenário, o único referencial absoluto para a ética humana é o próprio enigma do universo e o que dele vamos descobrindo e compreendendo. Quem acha isto "muito curto" é porque ainda não levantou os olhos do chão e se pôs a contar o número de galáxias.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Não Há Mistério, Mas há Quem O Pense

O Luís talvez corrija para "não há mistério, nem quem o pense", a lembrar Gautama: "não há caminho nem quem o percorra".
É o princípio de mais um dos meus desencontros com o "Desperto" Gautama. Mas não ganho nada com isso, porque o "sujeito irredutível" que sustenta o pensamento do enigma é tão frágil quanto o "barro" onde se revela. Sabemos que o "sujeito irredutível", o EU que pensa o mistério, só existe mesmo enquanto é o pensamento do mistério. E podemos, por isso mesmo, afirmar com Gautama que a efémera existência do "eu pensante" equivale a "não-existência"? Julgo que não, porque todo o acto é irreversível e o pensamento é acto de quem pensa. Mas aqui chegados é impossível não esbarrar com o dilema que se nos apresenta: o sujeito, absolutamente efémero, é, apesar dessa sua condição, simultâneamente efeito e causa de si mesmo. É efeito porque nasceu da consciência e do acto de pensar e é causa enquanto sujeito que se pensa a si mesmo.
Neste ponto, saltamos a barreira da lógica, onde causa se confunde com efeito e o acto com quem actua, postulando-se, em última análise, ou o acto puro ou a pura subjectividade.
Quem quiser escolha, mas lembre-se que tem apenas o tempo de uma vida breve para o fazer. Com isto quero dizer que no fim do discurso ou no fim da vida (do sujeito pensante) o enigma persiste desafiante como sempre.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Transcendência Também Morre

Folheava ontem um livro recentemente publicado, que é uma biografia de Stephen Hawking. Num capítulo sobre a imortalidade do espírito humano aí se refere a entrevista de 2011 de S.Hawking, em que ele se mostra céptico em relação à vida depois da morte, afirmando que é uma história fantasiada da existência de um paraíso, que serve apenas para afugentar o "medo do escuro". E continua afirmando que o nosso cérebro não é mais que um computador e a mente humana o seu produto. E conclui: não há um paraíso para computadores.
A rebater esta posição de Hawking aparece W. Wenham, que sofre da mesma doença degenerativa neuromotora de Stephen. Alega W.Wenham que Hawking está mal esclarecido e mal informado. Diz que, embora não tenha provas, está aberto à teoria que defende a existência de pelo menos 11 dimensões e que homem começa outra existência quando esta for completada. Tive logo vontade de perguntar "completada quando, como e onde?". Porque, no plano individual, pode-se acabar a aventura humana ainda como embrião, mal acabado de nascer, na infância, na juventude, na idade de plena maturidade ou depois da lenta decadência de uma longa velhice...).
Adiante.
Hawking e Wenham abordam o problema a partir da física. Parece-me curto, porque ainda temos a biofísica, a bioquímica , a genética, a neurociência.
Wenham está convencido que há-de ser a física, através das suas dimensões ainda apenas teorizadas, a garantir a imortalidade da vida. Hawking deixa-o sonhar.
Correndo atrás desse mesmo sonho de uma vida para além da morte vão as filosofias do transcendente e é destas que se socorrem os crentes, apostados em defender a razoabilidade da fé, embora continuem a afirmar que a fé não é dedutivel de qualquer raciocinio. "Não há razões para crer", proclamam. Mas então porque vivem da fé?
Neste ponto vale a pena ler o que escreve o nosso já conhecido Pe Anselmo, na obra já citada.

"...Mais graves são as questões que derivam das novas ciências. Evidentemente, as investigações etológicas, bioquímicas, da genética e das neurociências constituem hoje talvez o maior desafio alguma vez lançado a uma concepção verdadeiramente humanista e espiritualista do homem, por causa da tentação de reduzir o humano a uma explicação dentro do quadro da zoologia e da bioquímica. De qualquer forma , ao ser humano reflexivo impor-se-á sempre a subjectividade própria, pois a ciência objectiva só existe para e a partir do sujeito. Por mais que objective de si, o sujeito humano deparará sempre com o inobjectivabel,já que a condição de possibilidade de objectivar é ele mesmo enquanto sujeito irredutivel. O homem enquanto sujeito transcende, portanto, continuamente a explicação das ciências objectivantes".

Pois é, meu caro Pe Anselmo, "o homem enquanto sujeito transcende (...) a explicação das ciências objectivantes", e eu concordo plenamente, mas só o faz enquanto for um sujeito "cheio de vida" e isso implica a existência de um "corpo-cérebro" sadio!
Tem de concordar, Pe Anselmo, que um homem cheio de esperança como o Wenham pelo menos propõe uma solução, com a teoria das 11 dimensões (ou mais). S.Paulo fez o mesmo, à maneira do seu tempo, propondo a fé na "Ressurreição da Carne". O Pe Anselmo e todos os espiritualistas que rejeitam tanto a prodigiosa "Ressurreição da Carne" como a salvação pela teoria da física das 11 dimensões não apresentam outra coisa que não seja uma "transcendência" que nasce com o sujeito e com ele morre. Efectivamente, será sempre um outro sujeito a objectivar a transcendência de um cadáver. Enquanto existir um sujeito para fazer o exercício.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Fábula de Higino e Dawin

Vou citar, do livro do Pe Anselmo Borges (Deus e o Sentido da Existência):

"Numa obra essencial da filosofia do século XX, "Ser e o Tempo", o seu autor, Martin Heidegger retoma a famosa fábula sobre o Cuidado, de Higino, um escravo culto (64 a.c. -16 d.c.)

"Uma vez, ao atravessar um rio, Cuidado viu terra argilosa. Pensativo, tomou um pedaço de barro e começou a moldá-lo.Enquanto contemplava o que tinha feito, apareceu Júpiter. Cuidado pediu-lhe que insuflasse espírito nele, o que Júpiter fez de bom grado. Mas, quando Cuidado quis dar o próprio nome à criatura que havia formado, Júpiter proibiu-lho, exigindo que lhe fosse dado o seu. Enquanto Cuidado e Júpiter discutiam surgiu também a Terra (Tellus) e também ela quis conferir o seu nome à criatura, pois fora ela a dar-lhe um pedaço do seu corpo. Os contendentes invocaram Saturno por juiz. Este tomou a seguinte decisão, que pareceu justa: "Tu, Júpiter, deste-lhe o espírito; por isso receberás de volta o seu espírito por ocasião da sua morte. Tu, Terra, deste-lhe o corpo; por isso, receberás de volta o seu corpo. Mas, como foi Cuidado a ter a ideia de moldar a criatura, ficará ela na sua posse enquanto viver. E, uma vez que há entre vós discussão sobre o nome, chamar-se-á "homo" (Homem), já que foi feita a partir do húmus (Terra)".

Heidegger vê nesta famosa fábula exactamente aquilo que ela pretende transmitir, que é a necessidade, desde a "nascença, de todos os "cuidados" que o homem precisa para sobreviver. O Pe Anselmo chama a atenção para o nome do artesão, "Cuidado", em latim, "cura", e todos os derivados para a nossa língua, que abrangem todo a gama de cuidados e "curativos", que vão da medicina ao afecto, à compaixão, ao amor. Em suma, somos essencialmente "obra do Cuidado".

Ao retomar esta fábula, pretendo focar o contraste com o tema da postagem anterior sobre Darwin, sob dois aspectos.
Primeiro, o pensamento ancestral do criacionismo, presente em todas as narrativas acerca da origem do homem e de todas as outras criaturas, inclusive deuses e deusas. Como sabemos, esta ideia subsiste entre largos extractos da população actual, sendo mesmo a mais aceite.
Segundo, em conexão íntima com esta narrativa do criacionismo surgiu a ideia da dualidade espírito-corpo, com natureza e destinos separados.

O pensamento da "dupla origem" do ser humano determinou o seu destino diferenciado. Estava tudo posto em sossego nesta fé da criação, quando estourou a revolução do evolucionismo, que provocou o tremendo escândalo que se conhece, por contrariar os filósofos e teólogos mais geniais, que vinham sustentando e apontando como a realidade mais nobre da condição humana: o espírito, os seus atributos imortais e as suas sublimes realizações (nestas alturas esquecem-se, quase sempre, as diabólicas maquinações do espírito!).

O debate continua aceso e basta uma atenção mais "cuidada" para perceber que nem a filosofia nem a teologia cederam à evolução, mesmo quando fazem juras em sentido contrário.
Dizem estes filósofos e teólogos (os que aderiram ao evolucionismo) que a diferença entre o homem e os outros seres vivos é "qualitativa" e não uma questão de "grau" na evolução.
Que a diferença é qualitativa, não tenho dúvidas. Mas que essa "qualidade" tem uma origem alheia ao processo evolutivo, já não me parece. E é precisamente neste ponto que se ergue a fronteira entre a ideia do homem como um ser uno e integral e a ideia da dupla substancia, subjacente à fábula de Higino.

É caso para dizer: um pensamento milenar não desaparece em dois séculos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Darwin, Dificil Integração

Estou a terminar a leitura do último livro publicado pelo filósofo e teólogo Pe Anselmo Borges (Deus e o Sentido da Existência)e conclui-se da sua leitura o reconhecimento do evolucionismo e a desesperada tentativa de lhe escapar. O Padre e o Filósofo têm muita dificuldade em sobreviver à revolução darwinista.
Quando tudo parece em harmonia, deixando-se como pano de fundo comum o enigma sempre presente e verdadeiro da vida e do universo, intromete-se a fé do Padre, elevando o estatuto do homem acima do universo e da vida onde emergiu. Literalmente, e sem uma justificação convincente, separa-se o espírito, do corpo, quando no capitulo anterior se havia feito juras à sua indissolúvel unidade!
Por isso não é de estranhar a consideração menor pelos avanços da neurociência, que é sobretudo referida quando confirma o enigma da vida autoconsciente.
O que mais me tem espantado em filósofos e teólogos por quem tenho alta consideração, como é o caso do Pe Anselmo, é a cedência ao peso da ideia milenar de um espírito que ganha autonomia face à matéria. Afirmam, e não se dão conta da incoerência, a unidade do ser humano mas, na hora do "juízo final", segue cada um para o seu destino. Apetecia dizer, que pretendem forçar as portas do paraiso. Laicamente, eu direi antes que querem forçar as portas do futuro. Penso que é melhor ir com calma, descobrindo a chave que as possa abrir.

Chega a ser comovente o exercício mental, e brilhante o jogo de conceitos para provar que "o espírito não é redutível à matéria", que a pessoa não é uma entidade biológica, porque consubstancia uma subjectividade (eu, tu, ele) que transcende a materialidade. De uma penada esquece-se a origem "humilima", mas de uma tal complexidade, que a sua versão macroscópica, o cérebro animal-humano, mais parece um artefacto grosseiro.
É isso mesmo! Só porque é um enigma ainda imperscrutável, esquece-se a complexidade extrema primordial do universo e da vida, que esconde, mas não deixou de transmitir e desenvolver, todas as suas potencialidades. Mesmo esta, que é a extraordinária realidade do homem que se pensa a si própria.
O salto para aquele tipo de transcendencia de que falam os filósofos e teólogos, como o Pe Anselomo, não é consistente com a origem do universo e da vida, tal como resulta do conhecimento que as ciências nos permitem entrever. Força-se a existência de um mundo paralelo a este, um mundo que tem como base de sustentação a fé, a imaginação, o desejo, o sonho, a vontade.
O raciocínio simplista é do género: se eu desejo e penso na eternidade, ela tem que existir.
Nada mais falacioso. A verdade é que se eu desejo a eternidade ou a felicidade, tenho que as construir. O paraíso não existe, muito menos à minha espera, em parte alguma. Quando pensámos e desejámos a saúde, tivemos de construir a medicina, porque o "homem saudável" não estava, algures, à nossa espera. Nem está qualquer espécie de paraíso pronto a desfrutar.
É um perfeito absurdo pensar em construir a eternidade. Eu sei isso e os teólogos melhor do que eu o sabem, por isso imaginaram o estratagema da transcendencia para cumprir o sua humanissima ambição de eternidade.
A saída para esta situação "sem saída" foi proposta aos cristãos, nomeadamente por S.Paulo, há dois mil anos: começar tudo de novo, através da criação de um novo universo e de um novo homem, pela ressurreição. Os gregos riram-se do apostolo e os teólogos trataram de resfriar o entusiasmo dos cristãos. Foi só substituir a ressurreição por um "homem que não morre", ou morre em parte, ou a parte que morre não é homem essencialmente. E foi pena que se tivesse perdido este sonho magnifico de S.Paulo, evoluindo-se não para um mundo de almas fantasioso, mas para o empenho na construção da eternidade para o homem como um todo. Literalmente, fazer da loucura realidade, demorasse o tempo que demorasse...

Já entrados no século XXI, estamos nisto. Bem difícil de digerir o evolucionismo de Darwin, mesmo por aqueles que o apoiam!
Apetecia-me dizer da evolução, aquilo que alguém disse da física quântica: quem diz que já a entendeu, é porque ainda não percebeu mesmo nada.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Shakespeare e Pascal, Dois Olhares

William Shakespeare (Macbeth), citado pelo Lima: “A vida não passa de um fantasma errante, de um pobre comediante que se pavoneia e se agita, durante a sua hora em cena, e que em seguida não mais se ouve; é uma historia dita por um idiota, cheio de raiva e de barulho, e que nada significa...”

Pascal, citado pelo Pe Anselmo Borges, in "Deus e o Sentido da Existência": "O Homem não passa de uma cana, a mais fraca da natureza;mas é uma cana pensante.Para esmagá-lo, não é preciso o universo inteiro armar-se: um vapor, uma gota de água, basta para o matar.Mas, quando o universo o esmagasse, o Homem seria ainda mais nobre do que o que o mata, pois sabe que morre e conhece a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo não sabe nada disso".

A cada um de nós, o nosso olhar único e verdadeiro, tão genuíno como o destes "senhores" da arte e do pensamento. O comum dos mortais não consegue descrever esse olhar genuíno e profundo, que é o seu, com o virtuosismo dos génios como Shakespeare.