Apenas um lugar situado no monte da minha pequena aldeia de Balugães, onde se destaca uma laje de granito escurecida pelo tempo e que a pequenada havia transformado num improvisado escorrega.
Ainda hoje costumo subir o monte, perguntando, ás vezes, inquieto, se a extracção de pedra que já se fez nas suas proximidades não acabará por levar a “nossa” Laje Negra.
Quando lá subo, é como se retornasse aos dias de infância. Não é para escorregar, porque não tenho idade para essas folias, mas aproveito para descer o olhar até à planura dos campos da Agra, por onde serpenteia o rio Neiva, sereno, quase preguiçoso, sem pressa de prosseguir o seu curso até ao Atlântico, dali tão perto.
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domingo, 16 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Conde da Laje Negra
O "Conde da Laje Negra" é uma anedota do boticário cá da terrinha, «o Sr Marques da Farmácia», falecido há mais de quarenta anos.
Contaram-me que o meu avô Neiva lhe estava a sugerir ascendências de nobrezas tão antigas como a Sé de Braga e que, supostamente, ele carregava no sangue e no apelido Neiva.
Homem inteligente, bom e brincalhão, o boticário tomou um ar sério, perante tão subida pretensão, enquanto foi pensando nos domínios mais remotos, secos e agrestes de Balugães, para imortalizar a nobreza do João José Neiva. E vai daí, enquanto alinhava, nas prateleiras, os potes das mezinhas por ele próprio cozinhadas, decidiu distinguir o meu avô Neiva com o mui nobre título de Conde de Laje Negra.
O incauto do meu querido antepassado não se deu conta que estava, efectivamente, a descer perigosamente na escala social. Com efeito, devido ao seu desempenho habitual como figura do Rei Herodes no famoso «Baile Dos Reis», exibido anualmente na época natalícia, o povo já o proclamava de «Reir'odes». Passar de «rei» a «conde» não é propriamente uma promoção social.
O certo é que, tal como o título de conde, o de «rei» também sobreviveu para além da morte do «Baile dos Reis» e continua vivo na memória dos netos e bisnetos.
Contaram-me que o meu avô Neiva lhe estava a sugerir ascendências de nobrezas tão antigas como a Sé de Braga e que, supostamente, ele carregava no sangue e no apelido Neiva.
Homem inteligente, bom e brincalhão, o boticário tomou um ar sério, perante tão subida pretensão, enquanto foi pensando nos domínios mais remotos, secos e agrestes de Balugães, para imortalizar a nobreza do João José Neiva. E vai daí, enquanto alinhava, nas prateleiras, os potes das mezinhas por ele próprio cozinhadas, decidiu distinguir o meu avô Neiva com o mui nobre título de Conde de Laje Negra.
O incauto do meu querido antepassado não se deu conta que estava, efectivamente, a descer perigosamente na escala social. Com efeito, devido ao seu desempenho habitual como figura do Rei Herodes no famoso «Baile Dos Reis», exibido anualmente na época natalícia, o povo já o proclamava de «Reir'odes». Passar de «rei» a «conde» não é propriamente uma promoção social.
O certo é que, tal como o título de conde, o de «rei» também sobreviveu para além da morte do «Baile dos Reis» e continua vivo na memória dos netos e bisnetos.
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