sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Mudança de Paradigma

"A 'história universal'já não pode hoje ser entendida como sendo somente a história da humanidade (com algumas centenas de milhares de anos), mas deve sê-lo como uma verdadeira história de um universo com 13,7 biliões de anos desde a explosão inicial. Foram precisos contudo cerca de quatrocentos anos para que o novo modelo físico e astronómico do universo se impusesse em absoluto como o fundamento científico da moderna imagem do universo" (Hans Küng, in O Principio de Todas as Coisas, Edições 70).
É uma mudança de paradigma "traumática" até aos nossos dias, quando o homem tem de assimilar que nem a Terra é mais o "centro do mundo" (logo, centro das atenções divinas), nem o luminoso sol ou a nossa imensa via láctea são mais que pontos perdidos na imensidão de um universo em movimento.

E como se tudo isto fosse ainda coisa pouca, a ciência da evolução da vida coloca o homem como apenas mais um acontecimento na incrível odisseia da vida.
Somos um momento na história do universo conhecido e um instante como consciência dessa história que parece ultrapassar-nos até ao infinito.

A nossa conversa acerca do "apego" e "desapego" deverá ter sempre em conta esta circunstancia, para não perdermos a perspectiva do conjunto.

5 comentários:

  1. Deixa-me ser mauzinho...

    És mesmo tu, Mário, nessa perspectiva tão holística?!

    Fazes-me lembrar aquele escritor francês (fui ver e era Maupassant) que almoçava na Torre Eiffel, porque era o único sítio em Paris de onde não se via a maldita torre.

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  2. Com o risco de deslocar a reflexão para outro ponto, sinto uma vontade furiosa de repor a pergunta que acabo de deixar noutro blogo:
    Se cá voltasse, que nos diria hoje Paulo de Tarso?

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  3. Profissão de igonorância: o que nos disse, no seu tempo, Paulo de Tarso?

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  4. Perguntou o Lima no blog aaacarmelitas e eu respondi assim (falava da fé de S.Paulo na Ressurreição):


    Caro Lima, claro que não faço a mínima ideia sobre o que diria alguém, depois de um salto de dois mil anos. Mas se Paulo de Tarso tivesse viajado esse tempo todo olhando o desenrolar da História, acredito que diria algo parecido com o que eu digo, passe a presunção, porque ele foi genial para o seu tempo e eu sou uma insignificância.
    Comecei um novo comentário, que tive de interropmper, e nele vou dizer como a fé de Paulo de Tarso na ressurreição poderia ser entendida na actualidade.
    Por agora posso dizer-te que a "ressurreição da humanidade" como eu a penso é essencialmente a transformação ou transfiguração através do processo histórico natural(evolução), respeitando integralmente as leis da física, da química, da biologia. Einstein disse um dia que "Deus não joga aos dados" , a propósito da "probabilidade" na física quantica. Eu diria que Deus não fez um universo faz-de-conta.
    Neste sentido, a dinâminca da ressurreição está inscrita no homem e no próprio universo desde o "primeiro instante".
    Relembrando a metáfora da Ressurreição de Lázaro, afirmaria que ressuscitar não é fazer reviver o cadáver do "homem velho", morto e putrefacto, mas transfomá-lo, transfigura-lo, recriá-lo.
    E se é verdade que isso possa estar a acontecer paulatinamente na História de muitas e variadas formas, não é menos verdade que subsiste o problema de que cada um, pessoalmente, não vive o tempo suficiente para atingir a plenitude dessa transformação.
    Terá sido esse o grande problema que se colocou a Paulo e às suas comunidades. E, como o problema se revelou inssolúvel, a cristandade encostou-se à "alma imortal" de Platão, passando a acreditar e a ensinar que, afinal, o homem não morre, ou morre só em parte ou verdadeiramente o homem não é matéria, não é corpo. O universo físico passou a ser um cárcere e o a "alma humana" a ser considerada uma desgraçada e degredada no vale de lágrimas do universo material, físico, corporal.

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  5. Para além do que vi num ou noutro filme de ficção cientifica pouco mais sei acerca do "holismo". Mas porque me chamaste de holista fui pesquisar alguma coisa e veio logo uma definição: "O holismo significa que o homem é um ser indivisível, que não pode ser entendido através de uma análise separada de suas diferentes partes".Concordo plenamente.
    Então achas, Luis, que me coloco dentro da...digamos,história, para não ver a história? Ou que pretendo fugir dela e como não posso escapar, enterro a cabeça na areia?
    Mesmo imaginando que tudo o que entendemos por "realidade" não passa de um imenso holograma, a consciência do facto força-nos a pôr tudo em questão. Até a própria consciência. E só esbarramos com perguntas sem respostas.
    Vais dizer-me, "budisticamente", que o melhor da vida é não fazer perguntas que nâo podem ser respondidas. E se não for "o melhor" pelo menos poupa-nos a sofrimentos desnecessarios.
    Masoquistas, gostamos de sofrer? Ou é simples ignorância?

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