Está tudo pre-determinado? Até o facto de me estares a dizer isso mesmo?
Mas agora não me apetece discutir novamente essa questão. Porém, havemos de voltar, que somos mais casmurros que uma mula.(Vá lá, Dr Luís, só eu é que sou mula velha...-Haja modos, sr Mário! E não pense, seu côdeas, em desculpar-se com o determinismo, que não era bem isso o que o Dr Luís queria dizer aí atrás).
Pronto, já ouvi o raspanete da voz da consciência!
A outra questão que levantas, a da «entropia», para quem não ouviu falar deste conceito da física teórica, esclareço que, «grosso modo», quer dizer que isto vai tudo para o galheiro, que nem uma estrelinha, uma galáxia ou um universo hão-de escapar, numa desconstrução abissal. Uma desconstrução que será por congelação ou esmagamento.
Nada de novo, afinal, se pensarmos no Livro do Apocalipse bíblico.
Meu caro Luís, sei que sabes que a física teórica é ainda uma criança, o Big Bang um começo de trabalho e o multi verso um sonho apenas. Pensa no ensinamento do monge japonês e do general que o ameaçou trespassar com a espada. São apenas perspectivas diferentes da realidade, a construção ou a desconstrução. Pressentimos uma verdade mais profunda por detrás da construção ou da entropia e que nos escapa. Vamos caminhando na sua direcção, cientes de que, conforme o nosso entendimento actual, parece que vimos de um abismo e caminhamos para outro. Entretanto, e é com esta realidade que temos de viver, estamos na fase de construção, e é isto que eu foco, apesar de não saber como isto tudo começou nem como vai acabar, se é que, como eu já disse algures, «isto» teve um começo e vai ter um fim.
Claro que, numa perspectiva meramente antropica e antropocentrica, está tudo claro como a água. E então, no plano individual, é tudo tão evidente como o que diz o ditado: «morreu o bicho, acabou a peçonha».
Numa perspectiva copernicana, a vida e, particularmente, a vida humana consciente, assemelham-se incrivelmente a alguém que, nesta ínfima estação cósmica terráquea, esteja a ver os comboios passar.
sábado, 15 de janeiro de 2011
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É claro que eu, bom seguidor dos preceitos Zen, aproveitei para dar "para trás" ao amigo Mário, a ver se ele no fim acabava no Meio... se dizes que sim, digo que não. Se dizes que não, digo que sim... porque, bem vistas as coisas, eu não estou assim tão confiante que isto esteja tudo a ir ara o galheiro... sei lá se isto se vai mesmo expandir tudo eternamente e acabar num Universo de tamanho ainda mais ciclópico e quase sem densidade... ou colapsar num monstruoso gigantesco buraco negro e, por fim, do outro lado, renascer em novo big bang?
ResponderEliminarE mesmo o tempo, que natureza tem? (ai o tempo!). E se o tempo for um mero defeito de percepção, como pode haver construção ou desconstrução?
Como vês, não ando com um Manual de Certezas debaixo do braço. Mas continuo a arriscar que há uma visão da realidade mais próxima da sua natureza intrínseca e menos carregada de "modelos". Um conceito, por isso mesmo, difícil de transmitir. Mu!
Só mais dois esclarecimentos: a moral da história do general e do monge para mim não é bem essa. É, tão somente, que o monge tinha atingido um nível tal de iluminação e, logo desapego, que poderia sem trespassado sem aquele impulso descontrolado de se agarrar à vida. A imperturbabilidade é uma característica destes homens. Farão o que tiver de ser feito. Um exército destes homens poderia ser perigoso (o código samurai, o Bushido, está muito relacionado com isto: "O desapego era a base do samurai e, com a prática do desapego, os samurais formaram a maior casta de guerreiros que já existiu" - http://pt.wikipedia.org/wiki/Bushido).
Eis o perigo das interpretações incompletas. De qualquer forma, deixa-me acrescentar: para mim ainda nao é linear que esta concepção "budista" que eu tenho das coisas conduza a um código moral humanamente positivo. Palpita-me que sim, mas o ênfase da minha investigação não foi nesse sentido. Certamente que o budismo insiste nisso. Mas há aí um «salto» que eu não sei se é puramente lógico, ou apenas bem-intencionado.
Pronto. Disse o que tinha de dizer... ;-)
E disseste bem, Luis. Apraz-me ver-te assim desapegado de ideias definitivas. É isso que nos vai permitir continuar a conversar. E agora vou almoçar que estou com uma fome do caraças. E só este facto me impede que vá aos teus samurais, porque me apetecia compará-los com os cruzados cristãos.
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