segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Livro do Apocalipse -Pe Mário Oliveira

Com o consentimento do destinatário, o conhecido Pe Mário de Macieira da Lixa, trago ao blog uma nota critica ao seu livro em título e a resposta pessoal do próprio Pe Mário, no post seguinte. Poderei estar a ser injusto na minha apreciação. Se ficarem na dúvida, depois da resposta do Pe Mário, só vos resta comprar o livro e julgar por vós mesmos.



Caro Pe Mário

Já acabei de ler o seu livro anterior, o do Apocalipse. Muitos textos já conhecia.
Apenas uma nota. Da leitura dos seus escritos fica-me a impressão de que tudo o que o homem vai fazendo para transformar a sociedade, quase sempre de forma atabalhoada, como seria de esperar de quem evoluiu desde a idade das cavernas e de muito antes disso, fica-me a impressão de que o Pe Mário condena tudo a eito, numa linguagem que anatematiza tudo e todos. Até o acelerador de partículas tem o selo do diabo! Parece que o Pe Mário, bem à sua maneira, idealizou uma Cidade de Deus como havia feito Santo Agostinho e quem não for como o seu inspirador, Jesus-o-de-Nazaré,vive fora de portas.
Acreditando eu que está imbuído do espírito de «Jesus-o-de-Nazaré», não compreendo como se virou para a escrita, e de que maneira! sabendo que ele não escreveu uma única linha em papiro ou pele de animal, ficando para a história, como comprovativo de que era alfabetizado, a narrativa que o apresenta a escrever na areia os pecados dos fariseus acusadores da mulher adúltera.
Talvez a ausência de uma única palavra escrita pelo seu punho seja a razão pela qual cada um pode dizer tudo e o seu contrário acerca da sua doutrina. Cada evangelista escreveu do que ouviu falar e não vejo porque o seu «Jesus o de Nazaré» valha mais ou menos que o deles. E o seu evangelho, tal como o de Paulo encrostado nas epistolas (pelo menos nas autenticas) vale o que vale e vale até para diabolizar o acelerador de partículas. E o Pe Mário é coerente na sua pregação, que desvaloriza até à diabolização completa a trabalho árduo e ardoroso de uma Humanidade que não desiste de crescer. Apesar dos seus anátemas.
Para si, as pessoas ou agem da forma que o senhor prega ou encaminham-se para o abismo.
Todos os empreendimentos humanos (desde quando?) são ditados pela ganancia ou por uma tenebrosa trindade de poderes e, em consequència, de toda a obra humana que se constituiu como acervo cultural, não restará pedra sobre pedra. Dentro desta lógica, compreendo que me tenha devolvido o vídeo sobre os magníficos edifícios construídos para a ópera, considerando tais coisas desprezáveis, porque feitas sobre o suor e sangue de gente escravizada.
Para si, Deus (o ídolo?) nunca escreveu direito por linhas tortas. No entanto, se nós somos obra sua (do ídolo?) bem tortos saímos da criação. E quem é criado torto, tarde e mal se endireita.
Não tem receio que alguns euros aplicados na construção do seu «barracão da cultura» tenham procedência demoníaca?
O meu abraço fraterno e sincero e não veja nesta critica má vontade contra a sua pessoa. Apenas contra a sua pregação. Como pessoa, sempre admirei o seu coração generoso.
Mário Neiva

(Acima refiro «livro anterior» porque, entretanto, o Pe Mário publicou o «Livro da Sabedoria»

1 comentário:

  1. Acabo de ler a crítica e a resposta. Não posso ler o livro que o não tenho, e estou longe para o comprar. Mas penso que também não é preciso. A crítica é justa, vinda do Mário, a resposta é infalível vinda do Pe Mário. Estamos aqui em presença de um homónimo que, naturalmente tem a mesma grafia mas que nomeia pessoas distintas e incompatíveis. Acho que, neste caso, o meu bom senso me diz que os dois Mários têm razão. Um tem a razão da razão, outro a razão da sua fé. Será que um entendimento é possível? Não, não acredito! Os dois pisam caminhos paralelos, talvez nunca se encontrem, mas uma coisa é certa: a direcção é a mesma...

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