Este post era para entrar na caixa de comentários ao meu post anterior, a propósito de uma observação do Limabar acerca do «Intrometido». Achei por bem puxá-lo para aqui. Com um pouco de paciência de vossa parte fica tudo bem.
Por acaso até se sabe de onde vem, porque lhe estou a responder no blog que referi no fim do comentário (aaacarmelitas). Mas, realmente, não sei quem é. Penso que talvez seja um antigo condiscipulo.
E por falar nisso, quando apareceste como Limabar, lembrei-me de um desses condiscipulos dos meus primeiros anos do seminário, na Falperra, em Braga, porque um colega e amigo se chamava António de Lima Barbosa, de Geraz do Lima, e ainda pensei que pudesses ser Limabar, de Lima Barbosa. De certeza que foi só eu a sonhar.
No teu breve comentário pareceu-me ver um reparo à falta de «enquadramento» do meu post. Digamos que é um post "intrometido". E tens razão. A verdade é que eu não perco uma oportunidade para defender a ideia do homem uno e integral e rejeitar com frontalidade o dualismo dos "espiritualistas". A afirmação da unidade do homem será recorrente em tudo o que escrever sobre o tema, não por mania e simples convicção, mas porque é nesse sentido que vão as descobertas mais recentes das ciências neurológica e genética. Por uma coincidência que considero feliz para mim, a formação teológica da minha juventude e a fé que a consubstancia, na doutrina da ressurreição dos mortos, contribuiram, desisivamente, para a aceitação das teses propostas pelos especialistas da neurociencia e da genética. Falo em «teses propostas» e não em verdades definitivas, porque os homens da ciência, numa manifestação de honestidade intelectual que me comove, não se cansam de dizer que têm ainda muito mistério para desvendar. Chegam mesmo a propor que, desvendar o mistério da formação da nossa consciêcia humana, será a descoberta do «santo graal».
Por outras palavras e seguindo noutra direcção, os físicos teóricos pensam que chegar à formulação de uma «teoria de tudo» para o universo significaria «ler a mente de Deus». O génio de Einstein ficou a olhar para esta teoria global, vendo-a tão distante como a última das galáxias.
E agora digo eu: quem sabe não se trate tanto de descobrir uma realidade misteriosa, inexistente, mas de a construir? De facto, se pensarmos bem, só desta forma o futuro está garantido e faz sentido o dia de ontem e o de hoje. Era como dizer que o mundo não está a expandir-se mas a «criar-se».
Cá por mim, não quero que o Mário de amanhã seja o Mário de hoje. Queria tanto garantir um pouco da eternidade que hoje não sou!
E não é precisamente isso que os crentes esperam do «céu»? Não é isso que os crentes na reencarnação esperam das aventuras e desventuras dos sucessivos «ciclos de vidas»?
Eu sou bem comedido nas minhas ambições e só desejo em cada dia «criar-me um pouco mais».
Dir-me-ão: mas isso é "navegar à vista"!
Nem mais. "Navegar à vista até onde a inteligência alcança. E eu tenho alternativa?
Tenho, sim, a alternativa da fé, mas não preciso de ir por aí, simplesmente porque não estou desesperado da nossa humanidade...
Estranho, não é? Agora os crentes é que são uns desesperados da vida! Só faltava mais esta!
Porém, parando para pensar, quem é que projecta toda a esperança de realização plena -felicidade - num «outro mundo» que não este?
É o crente, é o crente.
Discussões à parte, seja lá quem for que esteja mais certo, nesse conhecimento que não chega a sê-lo, o que interessa mesmo é criar-nos e crescer como gente.Todos estamos de acordo na necessidade de alimentar tanto o corpo como o espirito, quer se pense que eles sejam mais unha e carne ou mais água e azeite.
Com o tempo, a verdade há-de vir ao de cima.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
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Sou esse mesmo Mário! Cheguei a pensar que até o meu nome tinhas esquecido. Vejo que não. É verdade que desde os tempos da Falperra a vida deu tantas voltas! Vai-se a gente por esse mundo fora, como que empurrado por uma força estranha, a transbordar promessas, triunfos e conquistas, num frenesim confuso de se realizar... de agarrar a vida... (ou será a vida que nos agarra?). É só mais tarde, com a chegada do “outono”, que a agitação acalma e então temos tendência a recordar... Os meus dois anos de Falperra parecem-me tão longe, no tempo e nas ideias, que ao “sobrevoar” “aaacarmelitas”, (que há pouco tempo descobri), tenho a impressão que tudo me é estranho... que é um outro mundo... e no entanto quantas recordações, quantos nomes de amigos companheiros, sobre muitos dos quais me impossível hoje pôr um rosto!
ResponderEliminarComo se diz: é a vida!
Em todo o caso fica a saber que te leio sempre com prazer e que de certo modo me surpreendes!
Mas não me respondeste ao tema que te propus: haverá vida extraterrestre?
Este comentário foi removido pelo autor.
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