sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Shakespeare e Pascal, Dois Olhares

William Shakespeare (Macbeth), citado pelo Lima: “A vida não passa de um fantasma errante, de um pobre comediante que se pavoneia e se agita, durante a sua hora em cena, e que em seguida não mais se ouve; é uma historia dita por um idiota, cheio de raiva e de barulho, e que nada significa...”

Pascal, citado pelo Pe Anselmo Borges, in "Deus e o Sentido da Existência": "O Homem não passa de uma cana, a mais fraca da natureza;mas é uma cana pensante.Para esmagá-lo, não é preciso o universo inteiro armar-se: um vapor, uma gota de água, basta para o matar.Mas, quando o universo o esmagasse, o Homem seria ainda mais nobre do que o que o mata, pois sabe que morre e conhece a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo não sabe nada disso".

A cada um de nós, o nosso olhar único e verdadeiro, tão genuíno como o destes "senhores" da arte e do pensamento. O comum dos mortais não consegue descrever esse olhar genuíno e profundo, que é o seu, com o virtuosismo dos génios como Shakespeare.

4 comentários:

  1. E esses génios, não temos de os ir procurar a Albione...


    D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL (Fernando Pessoa)
    [...]
    Sem a loucura que é o homem
    Mais que a besta sadia,
    Cadáver adiado que procria?


    HOMEM (António Gedeão)

    Inútil definir este animal aflito.
    Nem palavras,
    nem cinzéis,
    nem acordes,
    nem pincéis,
    são gargantas deste grito.
    Universo em expansão.
    Pincelada de zarcão
    Desde mais infinito a menos infinito.

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  2. Amostra sem valor (Anonio Gedeão - gosto, gosto!)

    Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
    Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
    com ele se entretém
    e se julga intangível.

    Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
    sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
    que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
    não pesa num total que tende para infinito.

    Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
    ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
    nesta insignificância, gratuita e desvalida,
    Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

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  3. Magnifico complemento do post, Luis.
    "Universo sou eu, com nebulosas e tudo". Por isso, quando até lá nos transportaram os veículos das novas tecnologias, foi como chegar ao já era nosso. Ou éramos nós.
    Apetecia-me dizer, na onda de Pascal: faltava lá chegar a nossa palavra.

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  4. Ofício

    Ocupo o espaço que não é meu, mas do universo.
    Espaço do tamanho do meu corpo aqui,
    enchendo inúteis quilos de um metro e setenta
    e dois centímetros, o humano de quebra.
    Vozes me dizem: eh, tu aí! E me mandam bater
    serviços de excrementos em papéis caídos
    numa máquina Remington, ou outra qualquer.
    E me mandam pro inferno, se inferno houvesse
    pior que este inumano existir burocrático.
    E depois há o escárnio da minha província.
    E a minha vida para cima e para baixo,
    para baixo sem cima, ponte umbilical
    partida, raiz viva de morta inocência.
    Estranhos uns aos outros, que faço eu aqui?
    E depois ninguém sabe mesmo do espaço
    que ocupo, desnecessário espaço de pernas
    e de braços preenchendo o vazio que eu sou.
    E o mundo, triste bronze de um sino rachado,
    o mundo restará o mesmo sem minha quota
    de angústia e sem minha parcela de nada.

    http://www.jornaldepoesia.jor.br/nauro.html#oficio

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