"No nível máximo de rigor, nem a cor magenta, nem a flor, nem a vaca, nem tu nem eu existimos". (Citação do último parágrafo do Luís, do seu último comentário ao post anterior).
Num nível máximo de rigor, as coisas não podem ser vista com essa simplicidade. Colocas-te, Luís, na linha do existencialismo, segundo o qual nós somos pura existência, puro devir, como um fogo-de-artifício tão belo (se for bem sucedido) quão fugaz. Dramatizar esta volatidade da existência humana até à afirmação pura e simples da sua "não-existência", parece-me um exagero e uma "leitura" exclusivamente antropocêntrica da realidade. Ora nós adquirimos, pela auto consciência, a capacidade de nos "distanciarmos" da realidade e de nós mesmos, como que olhando "de fora" e poder, ainda, fazer a avaliação desse mesmo "olhar". Mas esta capacidade, e aqui é que entra a tua razão, não anula o "fogo-de-artifício", que de facto somos.
Podemos e devemos, para se rigorosos, estabelecer a diferença entre um "nada-de-ser" e "ser-por-um-instante".
O que me parece é que o budismo pretende anular o próprio instante da vida.
E se eu, ao afirmar tudo isto, ainda estou a ser antropocêntrico (porque nunca posso desprender-me do que sou), também Buda, ao negar a existência, está a afirmar a vida, por um instante que seja.
Ocorre-me trazer aqui uma passagem do livro "Cosmos" de Carl Sagan, em que ele escreve: "Os segredos da evolução são a morte e o tempo(...) Parte da resistência a Darwin e a Wallace deve-se à nossa dificuldade em imaginar a passagem dos milénios (...) O que significam 70 milhões de anos para seres que vivem um milionésimo desse tempo? Nós somos quais borboletas que esvoaçam um dia e pensam que é para sempre".
O pensamento da eternidade pode ser uma ilusão, mas ser por um dia borboleta é bem capaz de ser a realidade…
sábado, 23 de julho de 2011
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Bem, eu já tinha avisado que tenho semelhanças com o (pouco) que li dos absurdistas, que são um ramos dos existencialistas.
ResponderEliminar"Dramatizar esta volatidade da existência humana até à afirmação pura e simples da sua "não-existência", parece-me um exagero e uma "leitura" exclusivamente antropocêntrica da realidade."
Afirmação extraordinária, esta, não posso deixar de me rir... então eu nego a existência dos seres humanos, ainda por cima faço-o por mera decorrência de negar a existência intrínseca de toda e qualquer forma, portanto nem a humanidade recebe aqui qualquer tratamento especial, positivo ou negativo, e acabo classificado como "antropocêntrico"? O que é que eu preciso de fazer mais para deixar de ser classificado assim? Vestir uma roupa de coelho?!
"[...] o "fogo-de-artifício", que de facto somos."
Ou que de facto não somos. O que é um facto? Já te disse que eu não nego a realidade da matéria, até acho que ela dá um jeitão, mas não sou niilista nem eternalista.
"Podemos e devemos, para se rigorosos, estabelecer a diferença entre um "nada-de-ser" e "ser-por-um-instante""
Eu só afirmo que não há ninguém para ser, nem ninguém para não ser. Da mesma forma, ninguém deixa de ser nem ninguém deixa de não ser.
"E se eu, ao afirmar tudo isto, ainda estou a ser antropocêntrico (porque nunca posso desprender-me do que sou) [...]"
A dar-se o caso, também eu não poderia desprender-me do que sou. Felizmente, basta apenas desprender-me do que não sou!
"também Buda, ao negar a existência, está a afirmar a vida, por um instante que seja"
É capaz de ser engano meu, mas nunca vais encontrar uma referência onde o Buda negue a existência. Pode negar a existência disto, ou daquilo, mas não a existência per si (julgo eu). Dizes que está a afirmar a vida porque afirmar seja o que for é uma manifestação de via, presumo? Ou seja, algo existe. É o equivalente a uma pedrada na cabeça, para um niilista.
Não sei se somos borboletas por um dia ou não, a minha opinião actual é que não, nem por um dia somos borboletas. O Universo para mim é como um caleidoscópio, como figuras nas nuvens, cuja beleza não desaparece só por ser intrinsecamente ilusória.
Citas o Carl Sagan. Tenho uma profunda devoção a esse homem, um gigante da honestidade intelectual. Deixo-te com uma citaçao dele:
"A verdade pode ser desconcertante. Pode exigir algum trabalho para a dominar. Pode ser contraintuitiva. Pode contradizer preconceitos profundamente arreigados. Pode ou não ser consonante com o que desesperadamente desejamos que seja verdade. Mas as nossas preferências não determinam o que é verdade."
e ainda, relativamente a Kepler:
"Se um marco fosse erigido hoje, poderia ler-se, em homenagem à sua coragem científica: «Preferiu a dura verdade às suas mais queridas ilusões»".
Podes rir-te as vezes que quiseres, Luis, mas nunca verás o mundo nem a ti próprio com o "olhar" de um boi. Neste sentido estás condenado a ser antropocentrico. E não adianta espernear.
ResponderEliminarÉ pura imaginação pensar que podemos abstrair da nossa humanidade para emitir qualquer juizo.
Ou pensas que é possivel?
Tens afirmado repetidamente que o budismo não nega a realidade mas sim a diversidade das coisas, ou seja, a realidade individualizada. na borboleta, da estrela ou no Luis.
Muito bem. Dá-me um exemplo de realidade não estruturada ou individualizada. Nâo aceito um conceito, porque isso é um mero produto da mente, igual aos nomes que damos às coisas: cadeira, estrela ou galáxia. Ou morrer, nascer, viver, pensar. Ou uno, plural, multiplo ou singular. Ser, não-ser, nada, tudo.
Espera, espera, que ser-se humano ainda não é antropocentrismo! Antropocentrismo é por o humano no centro, é privilegiar a óptica humana, é ver as as coisas em função do homem. Isso eu NÂO faço e, logo, não sou antropocêntrico. Tu é que és antropocêntrico, neste sentido, bem aceite:
ResponderEliminar"Antropocentrismo que vem do Renascimento (do grego άνθρωπος, anthropos, "humano"; e κέντρον, kentron, "centro") é uma concepção que considera que a humanidade deve permanecer no centro do entendimento dos humanos, isto é, o universo deve ser avaliado de acordo com a sua relação com o Homem. É normal se pensar na ideia de "o Homem no centro das atenções"".
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ResponderEliminarA minha contra-argumentação foi um bocado à pressa, que tive de sair.
ResponderEliminarVolto ao teu comentário por causa da citação que fazes de Sagan, para te dizer que não devias arrastar de qualquer maneira o Sagan para a ideia budista de que a diversidade das coisas é ilusão.
Sabes muito bem que tanto Kepler como Copérnico ou Galileu quase que tiveram de enfrentar a forca por causa das suas descobertas científicas. E as "queridas ilusões", que Kepler ou Galileu tiveram de abandonar, eram as teses acerca do movimento dos corpos celestes, que vieram a descobrir serem erradas. Nunca a afirmação de que astros e planetas, bem como os seus movimentos eram ilusões, no sentido budista da ilusão.
"A verdade pode ser contraintuitiva". Dentro do mesmo contexto temos de entender que Sagan se refere ao Sol que "intuitivamente" gira em volta da Terra, quando é precisamente o contrário. Kepler teve de abandonar a sua intuição. E como chegou lá? Medindo, medindo, medindo...objectos ilusórios, num espaço ilusório?
Posso não encontrar nenhuma afirmação de Buda a negar a existência, mas quando nega a existência de seres individualizados, quer seja um átomo quer seja uma catrefada deles estruturados, é a mesma coisa.
Se estiver errado, corrige-me a definição: o budismo é a vacuidade absoluta, que apesar de o ser, se tornou mãe de todas as ilusões.
(Ressalvando que "mãe" e "ilusões" também são vacuidade).
E por fim: "basta desprender-me do que não sou".
É fácil eu desprender-me da lua e viver a vida inteira sem lhe dar cavaoo, porque não sou a lua. Desprender-me do meu corpo-cérebro-consciência, só mortinho da silva...
Palpita-me que não me entenderias, ainda que te respondesse onze vezes.
ResponderEliminar"Um dia, quando o Buda estava sentado sobre ervas num bosque, um pequeno veado aproximou-se muito perto dele e mostrou-se amigável. O Buda inicialmente foi carinhoso com o pequeno veado durante uns instantes, depois pegou num pequeno pau junto a ele e subitamente desferiu uma pequena pancada seca no traseiro do pequeno veado. O veado foi atingido, e assustado fugiu tão rápido quanto podia. O Buda então disse: "Pequeno veado, só não queria que fosses morto por um caçador."
ResponderEliminarAlarguei, deliberadamente, o sentido da palavra antropocentrismo. Sei bem o que a palavra significa e tenho obrigação disso, por tive tres anos de grego, no seminário. Este alargamento pretende significar que as teses antropocentricas são, antes de mais, expressão do pensamento do homem e não a "palavra de Deus".
ResponderEliminarDe qualquer forma também acho que é um abuso. Literalmente.
"o budismo é a vacuidade absoluta, que apesar de o ser, se tornou mãe de todas as ilusões."
ResponderEliminarBem, não exactamente. O budismo é o caminho para a cessação do sofrimento, tal como ensinado por Buda.
Querias talvez definir a realidade, dizendo algo como
"Segundo o budismo, a realidade é a vacuidade absoluta, que apesar de o ser, se tornou mãe de todas as ilusões."
Mas também não é assim, de acordo com o meu entendimento. Eu diria assim:
"Segundo o budismo a natureza da realidade é a vacuidade, querendo com isso dizer-se que ela é vazia de formas. Todas as formas aparentes são ilusões."
Porquê pôr-me aqui eu, um nabo a dizer mais pobremente o que já foi dito de forma sublime por Dogen?
- Porque todas as coisas são buda-dharma, há ilusão e realização, práctica, e nascimento e morte, e há budas e seres sensíveis.
- Porque as míriades de coisas não têm um si intrínseco, não há nenhuma ilusão, nenhuma realização, nenhum buda, nenhum ser sensível, nem nascimento nem morte.
- O caminho de buda é, basicamente, saltar fora da pluralidade e da unicidade; assim, há nascimento e morte, ilusão e realização, seres sensíveis e budas.
- Porém, no apego as flores caem, e na aversão as ervas daninhas propagam-se.
Eu sabia que sabias. Só queria que soubesses que eu também sabia. (oh oh oh)
ResponderEliminarVou compreendendo porque é que Matthieu Ricard nunca se entendeu com o pai filósofo...
ResponderEliminarPalavra de honra que já disse uma porrada de vezes "é agora que vai às cordas". Engano meu! É quando apareces mais arrebitado.
Há um assunto que ficou aí para trás e temos de lá ir. Além disso, há-de chegar a hora em que será forçoso falarmos das consequências das filosofias que defendemos. Não quer dizer que te estou a empurrar para junto de Matthieu Ricard, at'e porque o Tiago ia sentir a falta do amigo. Mas não nego que ficaria encantado ver-te sentado sobre os calcanhares e braços cruzados sobre a tábua do peito, a meditar na melhor maneira de me tramar aqui no blog...
Dogen, de facto, exprime o que parece ser a intrínseca e paradoxal natureza do budismos, queria dizer, da vacuidade, queria dizer do buda. E nâo queria dizer nada disto. Porque segundo esta sabedoria da vacuidade (vale esta?) a vacuidade consiste nisto: sou buda quando deixo de o ser; nascer é quando se morre; morrer é quando se nasce; ilusão é a realidade e a realidade é ilusão; ser é quando se não é; quando se não é começa a ser; até as formas existem quando deixam de existir.
ResponderEliminarEu sou o Mário quando deixo de o ser. Quando deixo de o ser é que sou de verdade. Quando me afirmo estou a negar-mee quando me nego estou a afirmar-me.
"O caminho de buda é saltar fora da pluralidade e da unicidade".
Qualquer filósofo, perante esta afirmaçâo, não hestaria em dizer que o "caminho de buda" é saltar fora dos conceitos de pluralidade e unicidade e que o pensamento budista atribui valor "ontológico" a estes conceitos. Como quem diz, eu penso a vacuidade, a unicidade ou a pluralidade e elas existem. Ou não existem. Qualquer conceito pode ser torcido até transformar-se no seu contrário.
E a realidade pode? "Pode sim senhor", diz Dogen: ser buda é não o ser e quando se desapega da iluminação, então é que se fica iluminado.
Nesta sabedoria não há "lugar" para o tempo e o espaço ou para o espaço-tempo por isso não faz sentido o problema do "ovo e da galinha". Não existe o movimento "causa-efeito" que determina a "seta do tempo" dos físicos.
A verdade última do budismo é o "caminho para a vacuidade" e não a vacuidade em si mesma. Porque nem a vacuidade existe!
Puro devir, que é puro caminhar sem sem desígnio e sem direcção ou sentido.
E as consequencia práticas de uma tal doutrina?
Arrisco uma resposta: a extinção dos budistas.
Agora não tenho muito tempo, mas não há dúvidas de uma coisa: se o budismo atingisse o seu sucesso máximo, deixaria de haver budistas. O que não quer dizer que a extinção dos budistas conduza ao sucesso máximo do budismo. Há outras maneiras de a extinção acontecer sem ser pela tal via do seu sucesso.
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ResponderEliminarParece-me que estás a cair nalguns equívocos.
ResponderEliminarÀ força de seres confrontado com situações aparentemente paradoxais no âmbito destas conversas budistas (as historietas Zen aí são o melhor exemplo), pensas que o budismo *é* a institucionalização do paradoxo. Com efeito não é assim. A questão é que, sendo a iluminação difícil de alcançar, e designadamente pela via racional estrita, outros meios foram tentados, segundo várias escolas, desde a bela paulada até às historietas, passando pela meditação sentada, etc. Há muitos meios hábeis que podem ser usados e apropriados a cada ouvinte,
Outra coisa é que o significado dos ensinamentos budistas tem por vezes várias camadas. Os vários níveis de significado não são sempre perceptíveis.
"a vacuidade consiste nisto: sou buda quando deixo de o ser; nascer é quando se morre; morrer é quando se nasce; ilusão é a realidade e a realidade é ilusão; ser é quando se não é; quando se não é começa a ser; até as formas existem quando deixam de existir."
O caminho da verdade pode passar pelo paradoxo. Mas o caminho do paradoxo não conduz necessariamente à verdade.
Uma história:
Nos dias do Japão antigo, um rumor notável começou a se espalhar por todo o campo. Uma espécie de jovem escritor viajante, tem deixado as pessoas perplexas, e desafiado monges, com seus próprios koans! Muitos monges respeitáveis ouviram os seus koans, para no fim se retirarem sem uma única palavra.
Um monge excêntrico pelo nome de Shosan ouviu falar sobre isto e, instado pelos seus colegas monges, todos decidiram ir visitá-lo.
Ele perguntou ao escritor para recitar um dos seus koans. Solicitamente, ele fá-lo. Enquanto ele está fazendo isso, Shosan empurra o escritor. O escritor fica confundido com esta acção. Shosan diz então, calmamente: "Por favor, continue." Perplexo, o escritor continua a recitar seu koan, e Shosan empurra-o novamente. O escritor grita: "Porque fizeste isso?" "O teu koan?", responde Shosan. Cautelosamente, o escritor tenta terminar o seu koan. Mas enquanto ele tenta fazê-lo, Shosan salta sobre ele e começa a dar-lhe uma surra. Os seus companheiros monges saltam para suster Shosan.
Enquanto Shosan é arrastado para longe, grita, "NOVATOS NÃO DEVEM ESCREVER OS SEUS PRÓPRIOS KOANS!"
(o comentário apagado logo atrás do anterior não era uma 12ª resposta)
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ResponderEliminarÉ o que te digo também. As tuas reflexões, cheias de aparentes contradições, poderiam ter algum significado válido, mas palpita-me que não têm. Os absurdos nelas contidos só teriam valor se, dirigido a mim, produzisse sobre mim algum efeito válido e positivo, o que não me parece ser o caso. Assim, reflectem apenas o teu ainda insuficiente entendimento do que está a ser dito. Digo-o sem qualquer presunção e desculpa ser assim franco. Posso-te assegurar que não confio as minhas conclusões à falta de racionalidade ou a uma qualquer forma de fé. Mas compreendo que, a respeito do budismo, o caminho para a compreensão passa, mas não se resume a, uma transcendência do merio racionalismo. Ou seja, volto a comparar com os estereogramas. A compreensão de um estereograma por processos perfeitamente racionais não é fácil. Mas se for possível despertar a mente do observaor através de um truque qualquer, pode ser que ele *veja*, ainda que de forma incompleta ou imperfeita, o referido estereograma, situação a partir da qual o pensamento ganha meios para se orientar racionalmente para a compreensão mais completa do referido estereograma. Como na resolução de um problema matemático complexo, a intuição tem um papel, que não se sobrepõe à infalibilidade e objectividade da complexa resolução matemática da questão, mas que lhe sugere caminhos. Por vezes, é este tipo de intuição extra-racional que origina o génio. Não se trata, porém, esta minha afirmação, de um elogio da irracionalidade, se bem me fiz entender.
ResponderEliminarNa imagem abaixo é possível ver, em cima, dois golfinhos lado a lado, saltando para cima e, em baixo, um terceiro golfinho descendo.
ResponderEliminarhttp://www.eyetricks.com/3dstereo78.htm
Como? Bem aproximando o rosto entre um a dois palmos do écran, e desfocando a vista como para focar um objecto a maior distância, quase no horizonte.
Se por um instante conseguires ver algo, isso será suficiente para perceberes o que quero dizer e rapidamente progredirás.
Não pisques os olhos. Sempre que piscas os olhos, o mundo volta a ser o que era.
ResponderEliminarNeste, duas grandes borboletas, lado a lado, ocupam quase metade do campo de flores.
ResponderEliminarhttp://www.eyetricks.com/3dstereo145.htm
Imagino que precises de te sentar um bocado a meditar nestes desenhos...
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