Passei pela Bertrand e deparei com esta maravilha de Marcelo Gleiser, com o subtitulo " O Cosmos, a Vida e o Código da Natureza".
Não conhecia o autor. Esta 1 edição acaba de sair em Maio. Surpreendeu-me, este cientista que fala a nossa língua. E não só a mim. Na contra-capa pode ler-se: "...apesar dos esforços corajosos de muitas mentes brilhantes, a Teoria de Tudo continua a fugir-nos. Subvertendo mais de 25 séculos de pensamento científico, o premiado físico Marcelo Gleiser argumenta que essa busca é ilusória" !!! E o Prémio Nóbel da Química Roald Hoffman da-lhe razão: "Marcelo Gleiser ensina-nos a encontrar a beleza num Universo imperfeito, assimétrico e acidental". K.C.Cole vai no mesmo sentido: "Gleiser recorda-nos que nem o Universo nem a vida precisam de uma "razão" para terem um significado". E Stuart Kaufman não faz a coisa por menos: "Este livro marca o inicio de uma transformação no modo como vemos o mundo", depois de anotar "que existe uma relação profunda na ciência ocidental entre o monoteismo e a busca científica da Unidade, a Teoria de Tudo".
Pois é, Einstein, afinal eras um "religioso" inominado.
Chega para vos abrir o apetite?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
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Em França, “L'univers Imparfait”, foi publicado em princípios de Abril.
ResponderEliminarA critica francesa não me parece tão abundante como a brasileira. Em todo o caso, toda ela vai no sentido da generalidade da critica brasileira, da qual repesquei alguns extractos que apresento a seguir:
“Neste livro, o autor desmonta um mito da ciência e da filosofia ocidentais - o de que a Natureza é regida pela perfeição. O autor contesta o discurso dos ateístas radicais, mostrando que a ciência não prova a inexistência de Deus.”
“O físico Marcelo Gleiser, autor de obras que aproximam conceitos da física do público leigo como "A Dança do Universo" e "O Fim da Terra e do Céu", subverte neste seu mais recente livro mais de 25 séculos de pensamento científico ao desmontar um dos maiores mitos da ciência e da filosofia ocidentais: o de que a Natureza é regida pela perfeição.”
“Gleiser discorre em "Criação Imperfeita" sobre a importância da imperfeição no universo no desenvolvimento da matéria e do próprio ser humano. Com isso, contesta também o discurso dos ateístas radicais, como Richard Dawkins, mostrando que a ciência não prova a inexistência de Deus.”
“Por milênios, xamãs e filósofos, ateus e religiosos, artistas e cientistas tentam dar sentido à nossa existência sugerindo que tudo está conectado e que uma misteriosa Unidade nos liga ao resto do universo. As pessoas vão a templos, igrejas, mosteiros e sinagogas para rezar para as diversas encarnações divinas dessa Unidade.”
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarCom efeito, eu sou partidário de explicações elegantes e simples para o Universo, simplesmente porque tenho a intuição de que os fundamentos da complexidade se encontram na explosão combinatória de coisas muito simples. E há que reconhecê-lo: este tipo de intuição foi o fio condutor de muitas descobertas científicas. Com efeito, a ciência mostrou muitas vezes que por trás da variedade e da complexidade se escondiam casos particulares de regras mais gerais e mais simples.
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarNão li ainda o livro, porque estou ocupado com outra leitura interessante, sobre S.Paulo. Mas não sei a que propósito surge aqui a questão da existencia ou não existencia de Deus, como se depreende da citação que o Lima trouxe. Não entendo como se pode contestar os ateus radicais, sem constestar, ao mesmo tempo, os teistas radicais. Uns e outros discorrem sobre o que não conhecem. Mas este facto em si não é relevante, porque a pesquisa, toda ela, é feita sobre o que se não conhece. O que é grave é não se definir, à partida, o que se procura conhecer quando se fala de Deus. E devia ficar claro e assente, para iniciar qualquer discussão séria, que só existem duas atitudes intelectualmente coerentes e honestas: ou se faz coincidir e se identifica "Deus" com o Universo e, nesse caso, a busca do conhecimento do Deus-Universo é feita, naturalmente, pela inteligencia humana, ou se afirma claramente que Deus é uma realidade extra-universo (extra-natural ou sobrenatural) e, nesse caso, teriamos que aceitar o absurdo. Porquê? Se admitimos a existencia de dois universos, porque não admitir a exisetncia de uma infinidade deles? Voltavamos à pergunta de Einstein: quem criou o Criador?
ResponderEliminarTranquilo está o budista Luis que não se preocupa com as questões metafísics. Inúteis e fúteis, porque nunca terão resposta.
Na prática, o problema de Deus não se coloca a Buda. Não é verdade, Luis?
O budismo não é a panaceia universal. Existe para resolver um problema: o do sofrimento. Muitas outras questões podem ser extremamente interessantes, mas o budismo, sobre elas, deliberadamente nada tem a dizer. É um facto.
ResponderEliminarNão quer dizer que os fundamentos do budismo não tenham implicações em muitas áreas que não a do sofrimento no sentido restrito.
Digamos, então, que o budismo é, essencilamente, reactivo: combater o sofrimento. Por isso é intimista, cerebral e imperturbável até ser impassivel.
ResponderEliminarÉ cativante, porque abarca muito da nossa realidade humana. Parece faltar-lhe, porém, o "clic" da criatividade.
A criatividade é um risco, porque nela se avança sem ponderação, ao sabor da inspiração.
A criatividade dos "ocidentais" cria os cenários em que quer viver, ao passo que a reactividade budista espera pelo que acontece, para fazer o que é adquado.
Cantou um poeta brasileiro:
Vem,
Vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe
Faz a hora
Não espera acontecer
Escapou-me a conclusão depois dos versos:
ResponderEliminarno meio está a virtude.
Mário Neiva: Posso entrar nos vossos desabafos filosóficos?
ResponderEliminarSegundo aquilo que nos foi ensinado nos bancos da Catequese/Seminário Menor, a segunda realidade é que nos foi ministrada até à exaustão(Extra-natural ou sobrenatural) mas nos tempos que correm, não tanto pela pouca inteligência dos pastores hierárquicos religiosos, mas sim mais pelo abandono dos fiéis mais cultos das práticas religiosas, tão ocas e completamente ao arrepio da liturgia que supostamente emanou do Concílio Vaticano II. E, atrás do abandono penso eu, que logicamente que estão do "outro lado da barricada" ou seja estão mais próximos da identificação de Deus com o Universo,; mas eu acrescento, talvez não um Deus como ENTE SUPREMO,DISTANTE, mas sim próximo,que faz parte da nossa natureza .humana.
Cumprimentos
A.Costa
Olá, amigo Costa, sejas bem-vindo. E se não quiseres entrar como "anónimo", clica na seta de "comentar como" e escolhe a opção "nome URL" para escrever o nome. Assim já não precisas de assinar no fim.
ResponderEliminarSobre o teu comentário, é verdade que muitos cristãos, das diversas opções, estão a resvalar para o "Deus-Universo". Os teólogos cristãos chamam a isto panteísmo e propõe um Deus "totalmente Outro".
Mas nesta definição persiste ainda o problema de saber se o "Totalmente Outro" refere uma "substancia" totalmente diferente do Universo ou se é a "Pessoa" do Universo, assim como eu sou a "pessoa" do meu microcosmos. Se for este o sentido,entâo Deus é o Universo mas não se identifica com o Universo, tal como eu sou o meu "corpo" mas não me identifico com o meu corpo. Agora está mais macilento e com menos genica, mas já foi bebé e jovem e vivaço da silva. Ainda te lembras, quando a gente jogava a bola? Agora nem em jogo de solteiros e casados...