sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Átomo É Muito Grande!

"...Todos os átomos são infinitamente grandes, o que contrasta vivamente com a perspectiva de os átomos serem pequenos" (Peter Atkins, in O Dedo de Galileu).
Dá vontade de esfregar os olhos para verificar se estamos a ler bem. Peguemos no átomo com a estrutura mais simples de todas, o átomo de hidrogénio. O núcleo tem apenas um protão e para neutralizar a sua carga positiva existe apenas (e sempre) um electrão. Por terem cargas eléctricas opostas, namoram mas nunca se beijam. E também nunca se largam, por mais que o electrão se afaste do protão-núcleo. E pode fazê-lo até ao infinito. Porém, nem se pode dizer que se afasta porque, na realidade quântica, tudo acontece como se o tempo e o espaço não existissem "a priori", como um palco de eventos. De facto, Peter Atkins recorda que as soluções da equação de Erwin Schrodinger para dar conta do comportamento do electrão "prevêem a probabilidade de encontrar o electrão em cada ponto do espaço e não a localização precisa do electrão em cada instante, como na física clássica". Bem, mas isto é como se o tempo começasse a contar só quando tropeçamos no electrão, num espaço que também só começou a existir depois do encontro.
Então é assim: se eu não encontrar o electrão ele não está nem "aqui" nem "agora".
E no entanto eu não posso dizer que não existe, porque do namoro entre protões e electrões nascem todas as macroestruturas. A começar por esta que eu sou.
Eu queria ler o "Dedo de Galileu" até ao fim.

6 comentários:

  1. O "Dedo de Galileu" é uma referência a algum eventual gesto que ele possa ter feito na altura em que disse "E no entanto move-se"?

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  2. Lê-se na contra-capa:
    O dedo médio, conservado, da mão direita de Galileu foi seoarado do corpo um século após a morte do cientista e encontra-se exposto no Museu de História da Ciência, em Florença. Galileu apontou o caminho e foi o grande responsável pelo ímpeto da ciência moderna, afastando-a definitivamente do obscurantismo medieval"
    Pensavas que ele era uma mente, como hei-de dizer...como a tua?

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  3. Afinal sempre era o dedo médio!!!

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  4. Não me aparteis, nobre Mário, da companhia dos gigantes!!! Se defendo ideias que não são as Vossas é simplesmente porque sacrifico a subjectividade antropocêntrica à frieza dos factos naturais. Galileu não mo censuraria.

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  5. Esse "não me aparteis, nobre Mário", deve ser dos copos ao jantar...
    Talvez Galileu te advertisse sobre um esquecimento imperdoável: é que tu e a tua "subjectividade antropocêntrica" estais inclusos na tal "frieza dos factos naturais". A nâo ser que te julques fiel depositário de uma mente consciente extraterrestre ou mesmo extracósmica, "sobrenatural" dizem muitos, a olhar com sobranceria a rasteirice dos factos naturais...
    Sugeri no post sobre Hawking que apenas os filósofos suportam a evidente e fatal fragilidade do corpo-cérebro donde emerge a mente consciente da sujectividade humana. Pois suportam mesmo, permanecendo numa atitude expectante, recusando o "fim da linha". Homens da ciência como Hawking não acompanham os filosofos no pensamento expresso de uma tal atitude, mas prosseguem na busca da verdade a que chamam "teoria de tudo".
    Penso que foi e será sempre assim: a realiadde do mundo que somos é para ser vivida, naturalmente, mesmo antes de ser compreendida e explicada. E foi assim que chegamos até aqui.
    Aprecia primeiro, Luis, um copo de água fresquinha e depois vai ao laboratório analisar e medir...Em vez de perderes o contacto com a realidade, analisando e medindo, enriqueces a tua propria subjectividade. E sempre sem te identificares com as experiências de ontem, por saber que há muitissimo mais para analisar e medir.
    E, na verdade, nunca sabemos bem quanto estamos "dentro" e quanto estamos "fora" da realidade.
    Faz lembrar a teoria das cordas...

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