quarta-feira, 30 de março de 2011

A Polis do Conhecimento (3)

Não me contaram, eu ouvi, na sua tomada de posse, o Presidente Cavaco Silva afirmar, depois de elencar os fracassos da governação, que 2000 a 2010 foi uma "década perdida". Pelos vistos, tudo foi trabalho perdido.
Acontece que há uns meses atrás ouvi e li testemunhos de académicos ligados à investigação cientifica, onde estes, entusiasmados com os novos rumos da investigação científica em Portugal, precisamente nos útimos anos, encaravam o futuro com muita esperança, no que diz respeito a este domínio.
Qualquer pessoa que se ineteressa pelo sucesso da Polis sabe que o avanço científico significa prosperidade, numa sociedade cujo sustentação depende cada vez mais do conhecimento e da inovação.
Ouvir o Primeiro Magistrado da Nação, em sessão solene, ignorar a que talvez tenha sido a maior e melhor obra das últimas décadas e falar naqueles termos, numa altura em que os mercados têm os olhos cravados nas nossas capacidades realizadoras, revela até que ponto o obscurantismo da verdade politica se entranhou na mente da classe politica e dirigente, ao mais alto nivel. (?!)
Ninguém, de entre a chamada intelectualidade portuguesa, teve coragem de dar um murro na mesa e dizer "basta!"
Não é de admirar que as empresas de "rating" nos atirem para o caixote do lixo, quando o Presidente reeleito, ainda por cima economista, é o primeiro a fazê-lo.
Que mal fizemos a Deus, para merecer isto?

7 comentários:

  1. Mesmo não sendo um sector que me atrai especialmente, tenho seguido com interesse o folhetim político em Portugal. Claro que é uma visão do exterior, mas talvez por isso, menos sujeita a influências.
    O teu reparo ao Presidente é pertinente, mas quantos e quantos reparos se poderiam fazer a tantos outros. A política, infelizmente, não é uma vocação, é uma ambição. E a ambição é egoísta e muitas vezes cega, cegueira que vai de par com a mesquinhez.
    No entanto eu perguntaria: Não são os políticos actuais o espelho e ao mesmo tempo o fruto da Nação? Não tem o povo os políticos que merece?
    A culpa não pode morrer sozinha...

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  2. O que motivou este post foi a cegueira dos politicos que os levou a nem sequer ver, já não digo valorizar, algo que nunca tinha acontecido no nosso passado: a aposta na investigação cientifica de forma consistente. E a ciência tem tudo a ver com esta série da "Polis do Conhecimento".~
    De resto, não podia concordar mais contigo: temos os politicos que merecemos. E a minha esperança de que isto mude para melhor é precisamente apostar no conhecimento. E não há conhecimento sem investigação. Por isso é importante incentivá-la, financiá-la e reconhecer os seus atrasos ou avanços. Penso que o PR devia ser o primeiro a fazê-lo. Infelizmente, temos o presidente que merecemos. Não me pesa, porque não votei nele.
    NConcor

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  3. Palavras para quê?

    96 - PIB + 3.7% - Guterres PS - Dívida 55,3 mil milhões = 58,3% do PIB
    97: +4.4 - Guterres PS - Dívida 56,9 mil milhões - 54,4% PIB
    98: +5.0 - Guterres PS - Dívida 58,4 mil milhões - 50,4% PIB
    99: +4.1 - Guterres PS - Dívida 63,1 mil milhões - 49,6% PIB
    00: +3.9 - Guterres PS - Dívida 66,1 mil milhões - 48,5% PIB
    01: +2.0 - Guterres PS - Dívida 72,4 mil milhões - 51,2% PIB
    02: +0.7 - Guterres PS - Dívida 79,4 mil milhões - 53,8% PIB
    03: - 0.9 - Barroso PSD - Dívida 83,3 mil milhões - 55,9% PIB
    04: +1.6 - Barroso/Santana Lopes PSD - Dívida 90,7 mil milhões - 57,6% PIB
    05: +0.8 - Sócrates PS - Dívida 101,7 mil milhões - 62,8% PIB
    06: +1.4 - Sócrates PS - Dívida 108,5 mil milhões - 63,9% PIB
    07: +2.4 - Sócrates PS - Dívida 112,8 mil milhões - 68,3% PIB
    08: +0.0 - Sócrates PS - Dívida 118,4 mil milhões - 71,6% PIB
    09: - 2.5 - Sócrates PS - Dívida 132,7 mil milhões - 82,9% PIB
    10: +1.4 - Sócrates PS - Dívida 151,7 mil milhões - 92,4% PIB


    D/C

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  4. Meu caro Domingos (e tu sabes bem que és um amigo aqui para o Mário), não sei a que propósito vem este arrazoado de números da dívida pública, uma vez que a minha única preocupação manifestada é o investimento na ciência ou a falta dele. Acontece que pela primeira vez na história recente deste país há um PM (goste-se ou não dele) que decidiu investir forte na investigação científica e os homens empenhados nessa área têm sido os primeiros a reconhecer o facto e a estranhar a desatenção dos media e dos opinadores de serviço.
    Na hora de fazer o balanço da governação, que não o do seu mandato de "cooperação estratégica", o PR ignorou por completo este facto relevantíssimo, na minha modesta opinião e evidenciou de tal modo tudo o que foi negativo, que chegou a0 ponto de falar numa "década perdida". Curiosamente, e se tens memória e estiveste atento, antes da crise mundial de 2008, o mesmo PR exaltava os resultados da governação do Estado, tanto lá fora como cá dentro, e eu ouvi, com estes ouvidos que a terra há-de comer, ele afirmar que "o País está no bom caminho". Nessa altura os seus apoiantes chegaram a acusá-lo de colagem ao governo, quando ele estava, penso eu, a reconhecer o sucesso de uma governação que levara a cabo uma reforma oportuníssima da Segurança Social e trouxera o défice para baixo dos 3%.
    Depois veio a crise gravíssima mundial e tudo mudou, a começar pelo discurso do PR.
    Estes são os factos, podem ser comprovados e a História os consagrará.
    Mas vais dizer-me, meu amigo Domingos, porque é que começaste a contar o crescimento da dívida
    a partir de 1996. Começa, se queres ser objectivo, em 1980, uma data referência, porque foi por essa altura que assentou o pó da revolução dita dos cravos. Pelo meio dessa fase, em que nunca existiu um governo capaz de cumprir uma legislatura e um programa, porque minoritário ou em coligação desfeita (PS+CDS), foi chamado o FMI.
    Surpreendentemente, ou talvez não, depois de três anos de governos de maioria absoluta PSD+CDS, o País estava na bancarrota e os ilustríssimos ministros das finanças que o conduziram ao precipício foram Cavaco Silva e João Salgueiro, tendo como chefes de governo Sá Carneiro e Pinto Balsemão.
    O governo que segui, de salvação nacional, PS+PSD teve de chamar o FMI para salvar a Pátria.
    Desafio-te a negar a veracidade histórica destes factos.
    Aqui ao teu amigo Mário, peço-te, em nome da justiça que a História há-de fazer, conta a verdade toda ou, pelo menos, a que te for possível.
    Sobretudo, não comeces a contá-la "a meio", como se o ano da desgraça de Portugal fosse 1996, só porque antes foi PM Cavaco Silva que alguém pretende converter num mito. E pergunto, sinceramente, se esses fazedores do mito não serão os mesmos que à sombra da sua longa e absoluta governação, do nada se tornaram banqueiros e saquearam as instituições que criaram, para hoje os contribuintes pagarem os seus desvarios.
    Não te esqueças: traz aqui os números da divida e a sua progressão desde 1980. Se não servirem para mais nada, pode ser que me dêem a oportunidade de chamar filho da mãe ao Sócrates, coisa que até hoje ainda não fui capaz de fazer.

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  5. Meu GRANDE AMIGO MÁRIO NEIVA
    Caríssimo, governar não é nem pode ser a visão de uma parte, mas de um todo. Eu que estou na reforma,ainda sei como se faz a gestão de uma "coisa" seja publica ou privada. Onde não habita a VERDADE e a JUSTIÇA, é impossível haver crescimento e desenvolvimento. Não se fazem casas só com engenheiros,nem o doente pode dispensar outros intervenientes para além do snr.doutor.Pessoalmente terei todo o gosto de expressar o meu pensar da origem da crise e a quem interessa, ou mesmo como se resolve.Mas não deixo de dizer o sempre actual, "Há tanta gente a mandar em gente com inteligência que chego a pensarque burrice e estupidez são uma ciência".

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  6. Meu caro Domingos, tu sabes bem que não falamos em vão quando confessamos a nossa amizade. E por isso diremos a verdade de que formos capazes e não exigiremos a verdade toda um ao outro, porque tu e eu detemos simples parcelas da inacessível senhora. Então sobre política, reconheço-me um perfeito anão. O máximo dos máximos que consigo é mandar uns míseros palpites, como aquele que expressei acerca da total falta de reconhecimento, por parte do reeleito Presidente Cavaco, do investimento feito nos últimos anos, numa área a que sou muito sensível: a investigação científica.
    Já agora, digo-te também que para mim é incompreensível que, numa hora de gravidade extrema no contexto internacional, não tenha havido por parte do mesmo PR, uma única referencia à maior crise mundial dos últimos oitenta anos, com repercussões fortíssimas no nosso país.
    Perante estes factos, eu pergunto quem está a pretender enganar quem.
    1. Já me conheces há muito e sabes que não alinho com facilidade na espuma dos acontecimentos, marcados por uma persistente publicidade enganosa, para arrebanhar os incautos. Infelizmente, e para desgraça da nossa Polis, a chamada "classe politica e dirigente" está prenhe de tão mentirosa publicidade. E, bem avisada, comprou os meios para a fazer. Por minha parte estou disposto a não comer o que me põem no prato, servido por quem quer que seja, preservando tanto quanto possivel a minha independência.
    Abri neste blog o tema da Polis e não da politiquice, rasteira ou sublimada. Por isso, em nome da Polis e para que quem nos lê possa ajuizar da verdade dos numeros da progressão da dívida no tempo da nossa democracia estabilizada, que podemos considerar os últimos trinta anos, pedi-te que trouxesses aqui os números todos e não apenas dos ultimos quinze anos. A verdade da Polis o exige e pouco nos deve importar que isso possa ser muito inconveniente para a tal politiquice.
    Faz-me esse favor, para eu poder chamar os bois pelos nomes.
    E tu sabes que eu chamo e também sabes que a minha cor de paixão é apenas o azul e branco do nosso querido FCP, que acaba de sagrar-se campeão.

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  7. As mentiras que se descobrem!
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    Um X Mário

    DIVIDA EXTERNA DE PORTUGAL 31/10/2008

    $ 415.500.000.000,00
    QUATROCENTOS QUINZE MIL MILHÕES E QUINHENTOS MILHÕES DE DOLARES
    QUATROCENTOS BILIÕES E QUINHENTOS MILHOES DOLARES

    É verdade !!
    Qual deficit nas contas públicas de 3 % , qual que, isto não é nada !
    Nossos políticos, com a cumplicidade de toda a imprensa portuguesa, enterraram nosso país de vez.
    Porque a imprensa económica não divulga a realidade de nosso país ?
    Porque pertencem a mesma MÁFIA que governa nossas vidas !!!!!!!
    No ano de 2003, nossa divida externa era de 13,1 mil milhões de dólares. Hoje, no ano de 2008, nossa divida externa é de 415 mil milhões de dólares.

    Dívida externa: $ 415 bilhões de dólares ( 30 junho 2007 )

    Ano Dívida externa Posição Mudança Porcentual Data da Informação
    2003 $13.100.000.000
    51 1997 est.
    2004 $250.700.000.000 4 1.813,74% 2003 est.
    2005 $274.700.000.000 7 9,57% 2004 est.
    2006 $287.800.000.000 17 4,77% 2005 est.
    2007 $272.200.000.000 22 -5,42% 30 September 2006 est.
    2008 $415.500.000.000 19 52,65% 30 June 2007


    REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS: http://www.indexmundi.com/g/g.aspx?c=po&v=94&l=pt
    http://www.indexmundi.com/pt/portugal/divida_externa.html
    http://www.indexmundi.com/g/r.aspx?t=0&v=94&l=pt
    http://www.indexmundi.com/pt/portugal
    https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2079rank.html

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