terça-feira, 29 de março de 2011

O Mito do Poder da Mente

Muito se tem escrito sobre este tema nas últimas décadas! E a saga continua. É mais um mito para a ciência desconstruir. E está a fazê-lo, pedra a pedra, sem qualquer intenção expressa, até porque os homens que se debruçam com paixão e carinho sobre os segredos da vida e do universo não têm tempo para perder com as especulações da pseudociência.
Os autores que em volumosos escritos pseudocientíficos endeusaram a mente e os poderes da mente, chegaram ao cúmulo do disparate, com afirmações do género "não é o cérebro que cria a mente, mas a mente que cria o cérebro". Isto é bem mais do que pôr o carro à frente dos bois.
A biologia, a genética e a neurociência vieram colocar as coisas no seu devido lugar.
A genética descobriu um livro escrito no ADN de cada ser vivo que não fala de uma "alma separada", de um "espírito autónomo da matéria" , nem de uma mente sem as raízes mergulhadas na "carne" e da qual recebe todo o seu brilhantismo, numa dependência absoluta para existir e exercer a sua actividade.
A ideia milenar de uma "alma separada" , onde vão beber os criadores do mito do poder da mente, tem impedido pensadores que se julgam muito "actualizados" de constatar o que é óbvio: a simples obstrução das artérias que levam o precioso gás -o oxigénio- ao cérebro, é suficiente para reduzir a cinzas, em alguns minutos, a mente mais lúcida e brilhante.
Os seguidores do mito não querem ver que a estruturação do ADN precede a vida, o cérebro e a mente e que este facto se repete na formação de cada novo ser vivo. E a ciência já pode acompanhar cada fase e cada passo do processo. A novíssima informação é que já foi possível reproduzir a transição da simples química para a vida.
O mito agarra-se, com unhas e dentes, aos limiares que falta transpor e que dizem respeito à origem do universo e ao problema, que permanece insolúvel, da mente humana consciente. E tal desconhecimento pode até justificar a fé dos homens. O que não se pode é confundir a fé com a ciência e a pseudociência enveredou por esse caminho de confusão e depressa chegou aos ”milagres operados pela mente”. Se imaginarmos que o motor é o cérebro de um carro e a mente a respectiva potencia, ainda haveríamos de ver a potência do carro a repara um o furo de um pneu. Pura magia.
A realidade é bem diferente. O cérebro e a mente que nele se produz dependem tanto do corpo inteiro como o corpo da mente, em completa interacção. No seu livro da consciência, Damásio dixit. E quem sou eu para o contradizer e aos seus pares! Nem pretendo, que sei muito bem o que significa cortarem-me o pescoço…

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