«Assim, as ideias impõem restrições subjectivas à realidade objectiva, restrições essas que, objectivamente, não são objectivas!!!» (Citando o Luís)
Na mesma frase, parece-me, dizes uma verdade e uma meia-verdade. Como se fosse o resumo da história do pensamento.
A filosofia pretende fazer coincidir o subjectivo (a minha ideia, abstracção, convenção) com a realidade objectiva. A coincidência perfeita seria a posse da VERDADE absoluta. A SABEDORIA. Bem avisados, os gregos antigos foram dizendo que isso era tarefa só ao alcance dos Deuses. Os humanos (filósofos) ficavam apenas com um cheirinho (de Sabedoria).
A guerra entre subjectividade e objectividade do conhecimento desenrola-se sobre o pano de fundo das nossas limitações, que eu chamo de filosófica ignorância.
No dia em que esta limitação for superada não haverá mais nada para investigar, não haverá mais inquietação, nem sonho, nem apelo à criatividade. Porque tudo será conhecido em definitivo e tudo estará criado ou feito, numa perfeição de «Fim da História», que também podemos chamar de «Fim do Mundo».
Estranhamente, a «iluminação» do budismo ou a «perfeição» do cristianismo, assemelham-se à paralisia absoluta da morte.
Em contraponto, o «sofrimento-movimento-mudança» parece ser a única realidade com futuro...
quarta-feira, 26 de maio de 2010
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Recupero a minha dúvida, algo perdida nos comentários ao post anterior...
ResponderEliminarApós consultarem a página
http://chost.sites.uol.com.br/Principal/teste_de_daltonismo.html
gostaria de saber se os números dentro dos círculos existem ou não (sabendo que nem toda a gente vê todos: os daltónicos não vêem alguns).
Existem tal como existem os semáforos. Para quem não for adaltónico. Qual o problema, Luis?
ResponderEliminarOu seja, esses números não têm existência intrínseca.
ResponderEliminarA sua existência é uma convenção para os não-daltónicos.
Assim, também a nossa própria nossa existência, com toda a probabilidade, não é absoluta. Apenas uma convenção.
É esta, no essencial, a noção de vacuidade do budismo.
E isto para chegar a que conclusão? Que não há, no budismo, uma fuga da realidade. Reconheçamos, na análise da situação dos círculos coloridos do link acima, as seguintes verdades cumulativas:
ResponderEliminar1) Todos parecem reconhecer a existência de uma série de pontinhos coloridos.
2) Uma pessoas agregam-nos de forma a ver números.
3) Outras não os agregam de forma a ver números.
4) Os números que alguns vêem não têm existência intrínseca, são o resultado de uma forma particular de interpretar e organizar o real (pelos não-daltónicos).
5) As formas que os daltónicos possam ver, não são menos reais. Constituem outra potencial forma particular (diferente) de interpretar e organizar o real.
Assim, não se nega no budismo a existência do real. O que se nega é a existência intrínseca de determinadas organizações particulares do real, as quais, efectivamente, são construções *dependentes*, não só do real, mas também de cada entidade que as concebe, à sua maneira própria.
Quanto à sua reflexão de que "a «iluminação» do budismo ou a «perfeição» do cristianismo, assemelham-se à paralisia absoluta da morte. Em contraponto, o «sofrimento-movimento-mudança» parece ser a única realidade com futuro... ", devo realção que «sofrimento-movimento-mudança» parece um conceito demasiado budista para aqui ser usado como contraponto. NO ENTANTO... concordo absolutamente que há um terrível vazio na lógica fulminante do budismo, que, ao relativizar todas as coisas (menos *o* real total), as esvazia de sentido (que só pode ser relativo e, logo, vazio). Esse vazio de sentido é difícil de tolerar, pela mente humana. Com efeito, sento-me ao lado de Camus e ponho-lhe a mão no ombro, enquanto reflicto sobre o absurdo da vida.
Portanto, meu caro Luis, tanto é convenção o produto do nosso cérebro como o próprio cérebro. Intrinsecamente. Como se estivessemos a afirmar que fazer filmes de bonecos animados e trabalhar com as leis da física par levantar um boing 747 fosse exactamente a mesma coisa. É isso?
ResponderEliminarIndo um pouco mais longe, poderiamos perguntar se tudo o que «existe» é convenção, quem convencionou a nossa existêcia convencionada? Eintein foi mais simples e directo e perguntou «quem criou o Criador».
Ou parecido... que para mim não há criador...
ResponderEliminarUm padrão assume significado pela análise de uma dada consciência... logo, se o padrão a analisar fôr essa própria consciência, que se auto-analisa... assume ela significado, pela mesma razão? O significado pode nascer da ausência de significado, tal como a vida pôde evoluir da matéria estéril? (e pôde!)
Devo retirar-me para uma profunda reflexão do significado de palavras como.... "significado".
Alguém tem uma aspirina?...
Oh Luís! olha o teu estômago, toma paracetamol.
ResponderEliminarDizes que «para ti não há Criador». Eu diria que se há, sê-lo-á apenas para uma parte de mim. Precisamente aquela parte que vem dos meus progenitores, com inicio num qualquer Big Bang. A outra parte, aquela que me distingue absolutamente do Tiago, sou eu que a vou criando, a partir do património que me foi dado para gerir.
ResponderEliminarCom estes considerandos até posso dizer que sou um «nada de ser». E até dizer que que não sei bem o que sou até realizar o último acto da existencia.
E aqui me afasto sempre do budismo! «Realizar o último acto». O último de uma sucessão ininterrupta que me «foi criando», em obra que senti como nunca acabada.
Se me concentrar em meus pensamentos para meditar e dizer apenas «Eu Sou», é como não rentabilizar o património que recebi e é esquecer, deliberadamente, aquela outra parte, «a coisa ou embrião», que também sempre fui.
É não considerar que «eu» sou o «todo» com muitas partes. Partes de mim são os meus progenitores, tanto quanto os meus filhos, amigos e vizinhos. E o cosmos. Nesta linha de pensamento acho inútil procurar o sentido do «gomo de uma laranja». Tem fibra, tem sumo, tem forma, tem cor, tem perfume. E tudo pode ser saboreado sem conhecer a «laranja mãe».
Assim somos nós em face da vida e do universo.
O conhecimenteo não será a busca do sentido das coisas e da vida, porque estas já têm sentido pelo simples facto de existirem. (Diziam os antigos que a existencia é a primeira das perfeições)
O conhecimento será o desafio para agarrar a vida e o universo em plenitude, como se estivessemos em perpétuos jogos olimpicos: mais alto, mais forte e mais rápido.
Absurdo é não dizer que uma rosa e o seu perfume são a perfeição e são-no pelo simples facto de existirem.
À falta de uma aspirina para a dor de cabeça do Luis ofereço-lhe um cravo perfumado do meu quintal.