Não leiam a palavra «mal» no sentido moralista. Aliás, eu fujo do moralismo como o diabo da cruz, porque o moralismo é um mar de equívocos e os moralistas medram à sombra da própria ignorância ou da ignorância alheia, quando não se aproveitam mesmo, oportunisticamente, daqueles que nunca tiveram a sorte de uma escola. A propósito, contava-me, há dias, a minha filha mais nova uma conversa que tivera em Londres com uma vegetariana compulsiva, por força da religião que professava. Tratava-se de uma caso em que o “mal” moralista era de carácter religioso e colava-se ao consumo de alimentos. A minha filha explicou à sua “piedosa” interlocutora que o “mal” não está naquilo que comemos e que, por exemplo, o mosquito da malária, quando pica uma pessoa, não faz uma maldade capaz de matar. A inocente criatura está simplesmente a lutar pela sobrevivência “como nós as duas quando vamos ao trabalho”. Ora acontece que o mosquito se alimenta de sangue e não de frutas…
E sem culpa nenhuma!!!
O erro fundamental dos moralistas é pensarem que nós somos um espírito que incarnou e não a materialidade animal que evolui para a espiritualidade.
Esta capacidade de evolução é real, mas exercemo-la sem nunca nos desligarmos da matriz animal. Daí a nossa frustração perante a paradoxal realidade humana: comportamentos “animalescos” à mistura com as nobres realizações do conhecimento, da beleza, do amor e ânsias de eternidade.
Hoje li a crónica habitual do Manuel António Pina no JN, onde ele aponta o dedo ao verdadeiro tsunami da “maldade humana” que nos submerge. É a pura realidade. Mas eu já estou cansado dos diagnósticos da doença e acabei, frustrado, a leitura desta crónica, igual a milhentas outras que se limitam a sinalizar a desgraça.
Foram séculos ou milénios de pregação contra a maldade, chegando-se ao ponto de inventar o “Deus do Mal”, por falta de explicação aceitável para tanta maldade. Nem promessas de paraísos nem ameaças de infernos bastaram para, ao menos, diminuir a maldade. Avançou e avança como avalanche incontrolável, perante a impotência dos deuses e dos homens.
Penso que este sentimento de impotência perante o mal e a maldade tem uma raiz cultural, da qual nos temos que libertar.
Por mais que ofenda o orgulho de quem se imagina um puro espírito encarcerado num corpo tão frágil como um vaso de argila, está na hora de reconhecer que somos, primeirissimamente, iguais ao mosquito que mata para se alimentar e sobreviver. Toda a sofisticação de meios que usamos para atingir o mesmo fim, sobreviver, decorrente da nossa inteligência e da mente consciente, não anula a nossa primitiva condição. E é sobre esta condição de “mosquito sofisticado” que temos de actuar, se queremos superar-nos para o sonho, para a beleza, para o amor e para a imortalidade.
Mas continuamos a “dizer” tudo ao contrário, repetindo o milenar sermão moralista.
Escrevi “dizer” e não “fazer”, porque há um trabalho extraordinário que vem sendo feito metodicamente pelo menos há quatrocentos anos, não por pregadores de sermões inflamados, mas pelos homens da ciência que apontaram o machado do conhecimento à “raiz do mal”.
Não é a ira de uma divindade que manda o raio, o terramoto, a peste ou guerra. Não é uma divindade perversa que instiga o ódio, a ganância, a inveja e a mentira. Não é o “pecado” dos pais que faz nascer o filho cego, aleijado ou com tendências suicidas ou assassinas.
Todo este rio imenso de “maldades” procede da nossa condição e do universo donde emergimos.
Os pregadores de sermões, antes, por mera ignorância, hoje, “quase” por maldade, ora culpam “Deus”, ora culpam o “Homem”.
Sem lhes dar cavaco, os homens da ciência lançaram as culpas para o caixote das velharias e foram directos às causas das nossas desventuras.
Nascer mais saudável, nesta era do conhecimento, pode ser o primeiro passo para uma nova era, a do homem espiritual. Porque “o que nasce torto, tarde e mal se endireita”.
E nós temos estado a nascer “ao deus dará”.
Em vez de lamúrias e de apontar o dedo à “maldade humana”, aposte-se a sério no conhecimento e nas ciências da vida.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Indiferença Desconcertante V
Contemplação
Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre ideias e espíritos pairando...
Que é o mundo ante mim? Fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existências...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...
E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido
Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só pressentido...
Antero de Quental, in "Sonetos"
Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre ideias e espíritos pairando...
Que é o mundo ante mim? Fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existências...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...
E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido
Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só pressentido...
Antero de Quental, in "Sonetos"
Indiferença Desconcertante IV
Solemnia Verba
Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos...
Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E a noite, onde foi luz a Primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!
Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,
Respondeu: Desta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se isto é vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.
Antero de Quental, in "Sonetos"
Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos...
Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E a noite, onde foi luz a Primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!
Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,
Respondeu: Desta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se isto é vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.
Antero de Quental, in "Sonetos"
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Indiferença Desconcertante III
Se estivesse a escrever para um livro colocava o subtítulo “O melhor da consciência é o amor”.
Rios de tinta gastos para definir o amor e quase sempre se esquece, “no ardor da paixão”, que o amor é o filho maior da consciência humana. Assim mesmo, à letra: amamos, quando atingimos a maioridade consciente.
À frieza distante e infinita do Universo ou de um Deus com ele identificado, responde o calor próximo do nosso amor que retribuí com o olhar consciente de um amor finito, bem à nossa medida. De mãos dadas ou consciências entrelaçadas podemos olhar o Universo sem medo da sua esmagadora grandeza. Quase apetece beijar-nos no cimo da montanha mais alta e provocá-lo com a singularidade da nossa consciência amorosa, sem dizer, apenas pensando, porque o universo é cego e surdo:
isto, e olham-se nos olhos os amantes, tu não tens ou não és.
A morte certa destrói a consciência e o amor. A Humanidade tem lutado persistentemente contra esta fatalidade, ora erguendo monumentos de saudade, ora inventando formas de preservar a vida e fazer durar os dias e os anos da felicidade.
Apesar de “ele” aparecer tão insensível às “criaturas” que gerou, nós queremos conhecer o “Pai”. E ficamos confusos. Não sabemos se agradecer-lhe a realidade a que chegamos e somos, se reprovar-lhe o facto de nos ter entreaberto a porta do paraíso, para logo de seguida a fechar com estrondo na nossa cara, como que a dizer “desenrascai-vos na verdade efémera e sofrida de uma vida”.
Mas nós somos bons filhos e acabou por germinar em nós a semente da gratidão. Já não estamos em guerra com o “Pai”. Afinal, a vida pode ser uma festa breve, mas é tão bom enquanto dura. E agora sabemos que podemos prolongá-la mais e mais. No tempo e no carinho.
Também nisto adultos, finalmente.
Rios de tinta gastos para definir o amor e quase sempre se esquece, “no ardor da paixão”, que o amor é o filho maior da consciência humana. Assim mesmo, à letra: amamos, quando atingimos a maioridade consciente.
À frieza distante e infinita do Universo ou de um Deus com ele identificado, responde o calor próximo do nosso amor que retribuí com o olhar consciente de um amor finito, bem à nossa medida. De mãos dadas ou consciências entrelaçadas podemos olhar o Universo sem medo da sua esmagadora grandeza. Quase apetece beijar-nos no cimo da montanha mais alta e provocá-lo com a singularidade da nossa consciência amorosa, sem dizer, apenas pensando, porque o universo é cego e surdo:
isto, e olham-se nos olhos os amantes, tu não tens ou não és.
A morte certa destrói a consciência e o amor. A Humanidade tem lutado persistentemente contra esta fatalidade, ora erguendo monumentos de saudade, ora inventando formas de preservar a vida e fazer durar os dias e os anos da felicidade.
Apesar de “ele” aparecer tão insensível às “criaturas” que gerou, nós queremos conhecer o “Pai”. E ficamos confusos. Não sabemos se agradecer-lhe a realidade a que chegamos e somos, se reprovar-lhe o facto de nos ter entreaberto a porta do paraíso, para logo de seguida a fechar com estrondo na nossa cara, como que a dizer “desenrascai-vos na verdade efémera e sofrida de uma vida”.
Mas nós somos bons filhos e acabou por germinar em nós a semente da gratidão. Já não estamos em guerra com o “Pai”. Afinal, a vida pode ser uma festa breve, mas é tão bom enquanto dura. E agora sabemos que podemos prolongá-la mais e mais. No tempo e no carinho.
Também nisto adultos, finalmente.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Indiferença Desconcertante II
É recorrente as pessoas referirem a “força bruta dos elementos” , em face de uma qualquer catástrofe natural. Sabemos da história religiosa dos homens como estas “forças” ganharam vida e nome próprio e foram entronizadas nos altares do medo, da ignorância genuína e da vontade de sobreviver aos seus ataques impiedosos e destruidores. Em desespero de causa, a Humanidade sacrificou-lhes os próprios filhos, oferecendo-os e imolando-os para aplacar a ira incontrolada. Esta forma derradeira de medo e de impotência perante a “força dos elementos” e, em última análise, da morte iminente, não tem paralelo no Universo, até onde nos foi possível conhecê-lo. E não há como negar que esta atitude “religiosa” da Humanidade resulta da sua condição única de ter chegado à mente consciente.
A emergência da consciência humana foi como terrível despertar em pleno campo de batalha, sem saber como nem porquê. E têm sido milhares de anos vivendo este drama em plena consciência.
Substituir o Universo infinito, escuro, frio e indiferente, por forças personalizadas dos elementos (deuses) ou mesmo por um Deus Único, quer identificando-o com esse universo quer imaginando-o "por detrás”,gerando-o ou criando-o, não nos livra do seu comportamento arbitrário, de absoluta indiferença, em que somos tratados como um caracol que se esmaga com uma patada ou se faz dele um petisco apreciável.
Apesar de tudo, a Humanidade resistiu heroicamente. Desenrascou-se como soube e pôde e andamos nisto desde que nos descobrimos senhores de uma preciosa mente consciente. Preciosa, sim, embora a sua luz quase nos cegue, porque foi graças a ela que inventamos mil e uma formas de fintar o destino e garantir a sobrevivência.
Não somos vencedores de deuses nem escapamos ao universo que nos dá a vida e no-la pode tirar em qualquer curva do íngreme percurso, mas podemos exibir um espírito consciente, com assomos de pura liberdade, capaz de fazer inveja ao Grande Universo que nos pariu. E se “ele” tem melhor, estamos à espera para ver.
A emergência da consciência humana foi como terrível despertar em pleno campo de batalha, sem saber como nem porquê. E têm sido milhares de anos vivendo este drama em plena consciência.
Substituir o Universo infinito, escuro, frio e indiferente, por forças personalizadas dos elementos (deuses) ou mesmo por um Deus Único, quer identificando-o com esse universo quer imaginando-o "por detrás”,gerando-o ou criando-o, não nos livra do seu comportamento arbitrário, de absoluta indiferença, em que somos tratados como um caracol que se esmaga com uma patada ou se faz dele um petisco apreciável.
Apesar de tudo, a Humanidade resistiu heroicamente. Desenrascou-se como soube e pôde e andamos nisto desde que nos descobrimos senhores de uma preciosa mente consciente. Preciosa, sim, embora a sua luz quase nos cegue, porque foi graças a ela que inventamos mil e uma formas de fintar o destino e garantir a sobrevivência.
Não somos vencedores de deuses nem escapamos ao universo que nos dá a vida e no-la pode tirar em qualquer curva do íngreme percurso, mas podemos exibir um espírito consciente, com assomos de pura liberdade, capaz de fazer inveja ao Grande Universo que nos pariu. E se “ele” tem melhor, estamos à espera para ver.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Indiferença Desconcertante
Todos conservamos fresca a memória das tragédias nos mares do Japão e da Indonésia que provocaram centenas de milhares de mortos, resultantes de maremotos seguidos de tsunami.
Com a mesma indiferença com que esmago no meu quintal um caracol, inadvertidamente no meu caminho, a natureza se abate "impiedosa" sobre a humanidade.
O advento da ciência, em força, com os "gigantes" como Kepler, Galileu ou Newton, a presença de "forças sobrenaturais" era aceite sem questionar. Se algo se movia ou acontecia é porque alguém empurrava ou fazia acontecer.
Seja para proteger e ajudar, seja para atacar e punir, o "sobrenatural" assinalava continuamente a sua presença.
Atingimos um patamar de conhecimento que nos permite constatar que as forças conhecidas ou ainda desconhecidas "tratam" com a mesma indiferença uma galáxia, uma estrela, um planeta, a matéria morta ou a matéria viva, a vida sem consciência e a vida consciente. O Único privilégio de cada ser consiste na sua própria existência.
O ser humano que se considera único por ser consciente, terá de reconhecer que a consciência não faz dele um privilegiado no universo. Torna-o, apenas perante si mesmo, raro e único, mas apesar de ter a consciência da sua especificidade está tão sujeito à "indiferença" das leis universais como a mais insignificante realidade da matéria. Um meteorito perdido pode acabar quase de repente com biliões de anos de evolução da vida.
Como se o homem tivesse escapado das "mãos de Deus" para cair na teia implacável das leis do Universo.
Terá o budismo intuído esta constrangedora realidade "moderna" e daí apontou o tal "caminho do meio" como a saída mais "airosa"?
Com a mesma indiferença com que esmago no meu quintal um caracol, inadvertidamente no meu caminho, a natureza se abate "impiedosa" sobre a humanidade.
O advento da ciência, em força, com os "gigantes" como Kepler, Galileu ou Newton, a presença de "forças sobrenaturais" era aceite sem questionar. Se algo se movia ou acontecia é porque alguém empurrava ou fazia acontecer.
Seja para proteger e ajudar, seja para atacar e punir, o "sobrenatural" assinalava continuamente a sua presença.
Atingimos um patamar de conhecimento que nos permite constatar que as forças conhecidas ou ainda desconhecidas "tratam" com a mesma indiferença uma galáxia, uma estrela, um planeta, a matéria morta ou a matéria viva, a vida sem consciência e a vida consciente. O Único privilégio de cada ser consiste na sua própria existência.
O ser humano que se considera único por ser consciente, terá de reconhecer que a consciência não faz dele um privilegiado no universo. Torna-o, apenas perante si mesmo, raro e único, mas apesar de ter a consciência da sua especificidade está tão sujeito à "indiferença" das leis universais como a mais insignificante realidade da matéria. Um meteorito perdido pode acabar quase de repente com biliões de anos de evolução da vida.
Como se o homem tivesse escapado das "mãos de Deus" para cair na teia implacável das leis do Universo.
Terá o budismo intuído esta constrangedora realidade "moderna" e daí apontou o tal "caminho do meio" como a saída mais "airosa"?
quarta-feira, 22 de junho de 2011
O "Ministerio Da Saúde"
A ideia para este post surgiu-me no seguimento dos meus últimos dois comentários à postagem EU SO QUERO SER. Aí afirmei que a única forma de preservar a minha identidade (se quiserem chamem-lhe alma ou espirito ou mente ou o que vos der mais jeito) era preservar a vida do conjunto indissociável e intrinsecamente solidário "corpo-cérebro". E mais uma vez lembro que estou a seguir a neurocência de António Damásio, oferecida de bandeja no seu LIVRO DA CONSCIENCIA. E quando falo no "corpo-cérebro" da neurociência, também podia falar do "pensamento-sentimento" do mesmo Damásio, na sua outra obra SENTIMENTO DE SI ou no ERRO DE DESCARTES.
Todo este intróito para repisar que EU me vou inteirinho juntamente com aquele suporte tão frágil, tão exposto a perigos de toda ordem e tão radicalmente necessário para que continue a dizer "estou aqui" e "sei que estou aqui". Este momento de auto-consciência, único na vida do Universo conhecido, é a mais fabulosa criaçâo da vida e ao mesmo tempo a raiz do "pensamento sentido" da solidâo individual e colectiva.
É quando EU me comprazo no abraço emocionado e consciente do meu amor- um outro EU -ou quando a Humanidade -Colectivo EU - perscruta os céus e pensa no Universo como um Infinito EU. Vulgo, Deus.
E posso garantir-vos que se entrelaçarmos a nosso consciência com a consciência do nosso amor, deixamos de andar perdidos de templo em templo, de deus em deus, em busca de um lenitivo para a solidão porque, pelo menos para a minha e para a tua solidão, o amor consciente é antídoto perfeito.
A Humanidade, o colectivo EU, pode contar com os muitos séculos que tem pela frente para sonhar com o EU INFINITO do seu INFINITO UNIVERSO.
Mas EU não tenho séculos à minha frente e posso nem ter anos nem meses nem dias. Por isso é tão urgente o "meu amor", como o encontro possivel com o Infinito e com alguém que me "reconhece" e me "recebe", e EU reconheço, recebo e integro na minha vida. Este amor será tâo precário, breve e esplendoroso como um fogo-de-artificio mas nem por isso deixa de ser a coisa mais importante da vida.
E assim podemos viver a festa de um dia depois do outro, na expectativa de muitos mais. Mas para isso precisamos de um bom "Ministério da Saúde".
Já sem contar com os precalços de toda a ordem, imprevistos e violentos como um tsunami e contra os quais ainda nada podemos fazer, é urgente cuidar da saúde do "corpo-cérebro", do nosso e dos "outros", sustentáculo e garante da breve festa da vida. Porque é nesta realidade corporal que tudo começa e tudo acaba. Pensar que é de outro jeito, apenas servirá para disfarçar o desastre pessoal de nunca ter encontrado o amor consciente de alguém.
Estava a pensar agora mesmo se foi boa ideia convidar um banqueiro para o "Ministério da Saúde". Porém, muitas vezes as coisas não são o que parecem.
A ver vamos.
Todo este intróito para repisar que EU me vou inteirinho juntamente com aquele suporte tão frágil, tão exposto a perigos de toda ordem e tão radicalmente necessário para que continue a dizer "estou aqui" e "sei que estou aqui". Este momento de auto-consciência, único na vida do Universo conhecido, é a mais fabulosa criaçâo da vida e ao mesmo tempo a raiz do "pensamento sentido" da solidâo individual e colectiva.
É quando EU me comprazo no abraço emocionado e consciente do meu amor- um outro EU -ou quando a Humanidade -Colectivo EU - perscruta os céus e pensa no Universo como um Infinito EU. Vulgo, Deus.
E posso garantir-vos que se entrelaçarmos a nosso consciência com a consciência do nosso amor, deixamos de andar perdidos de templo em templo, de deus em deus, em busca de um lenitivo para a solidão porque, pelo menos para a minha e para a tua solidão, o amor consciente é antídoto perfeito.
A Humanidade, o colectivo EU, pode contar com os muitos séculos que tem pela frente para sonhar com o EU INFINITO do seu INFINITO UNIVERSO.
Mas EU não tenho séculos à minha frente e posso nem ter anos nem meses nem dias. Por isso é tão urgente o "meu amor", como o encontro possivel com o Infinito e com alguém que me "reconhece" e me "recebe", e EU reconheço, recebo e integro na minha vida. Este amor será tâo precário, breve e esplendoroso como um fogo-de-artificio mas nem por isso deixa de ser a coisa mais importante da vida.
E assim podemos viver a festa de um dia depois do outro, na expectativa de muitos mais. Mas para isso precisamos de um bom "Ministério da Saúde".
Já sem contar com os precalços de toda a ordem, imprevistos e violentos como um tsunami e contra os quais ainda nada podemos fazer, é urgente cuidar da saúde do "corpo-cérebro", do nosso e dos "outros", sustentáculo e garante da breve festa da vida. Porque é nesta realidade corporal que tudo começa e tudo acaba. Pensar que é de outro jeito, apenas servirá para disfarçar o desastre pessoal de nunca ter encontrado o amor consciente de alguém.
Estava a pensar agora mesmo se foi boa ideia convidar um banqueiro para o "Ministério da Saúde". Porém, muitas vezes as coisas não são o que parecem.
A ver vamos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)