Se estivesse a escrever para um livro colocava o subtítulo “O melhor da consciência é o amor”.
Rios de tinta gastos para definir o amor e quase sempre se esquece, “no ardor da paixão”, que o amor é o filho maior da consciência humana. Assim mesmo, à letra: amamos, quando atingimos a maioridade consciente.
À frieza distante e infinita do Universo ou de um Deus com ele identificado, responde o calor próximo do nosso amor que retribuí com o olhar consciente de um amor finito, bem à nossa medida. De mãos dadas ou consciências entrelaçadas podemos olhar o Universo sem medo da sua esmagadora grandeza. Quase apetece beijar-nos no cimo da montanha mais alta e provocá-lo com a singularidade da nossa consciência amorosa, sem dizer, apenas pensando, porque o universo é cego e surdo:
isto, e olham-se nos olhos os amantes, tu não tens ou não és.
A morte certa destrói a consciência e o amor. A Humanidade tem lutado persistentemente contra esta fatalidade, ora erguendo monumentos de saudade, ora inventando formas de preservar a vida e fazer durar os dias e os anos da felicidade.
Apesar de “ele” aparecer tão insensível às “criaturas” que gerou, nós queremos conhecer o “Pai”. E ficamos confusos. Não sabemos se agradecer-lhe a realidade a que chegamos e somos, se reprovar-lhe o facto de nos ter entreaberto a porta do paraíso, para logo de seguida a fechar com estrondo na nossa cara, como que a dizer “desenrascai-vos na verdade efémera e sofrida de uma vida”.
Mas nós somos bons filhos e acabou por germinar em nós a semente da gratidão. Já não estamos em guerra com o “Pai”. Afinal, a vida pode ser uma festa breve, mas é tão bom enquanto dura. E agora sabemos que podemos prolongá-la mais e mais. No tempo e no carinho.
Também nisto adultos, finalmente.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário