segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Meu Karma Karmelita

Esta foi bem achada, Luis. Ao ler fiquei a sorrir, agradado, pelo teu "olho clínico".
Há dias um amigo, filósofo encartado e tudo, disse-me o mesmo mas d forma mais "radical". Já lhe respondi pessoalmente e também no blog dos aaacarmelitas. Pesco do blog:

Re-convertido ao cristianismo

Assim mesmo me escreveu um amigo de longa data. Não sei em que texto viu a minha "re-conversão", mas posso garantir que está equivocado, pela simples razão que eu nunca me des-converti.
Há muito tempo que para mim o cristianismo é muito mais que um "corpo" de ensinamentos, de dogmas e de liturgias. Reconheço-o como a matriz da minha cultura e des-converter-me dela seria negar-me a mim próprio.
No cristianismo interiorizei a fraternidade universal e o amor como o único mandamento para a vida. Nele me tornei militante dos direitos universais da pessoa humana.
Nele vi nascer as democracias, tão imperfeitas quanto as pessoas que as puseram de pé.
Do cristianismo vi emergir uma filosofia humanista, centrada na dignidade da pessoa humana, que produziu a magna carta dos Direitos do Homem.
Das raízes profundas da minha cultura cristã cheguei a esta conclusão libertadora de todos os fantasmas e medos ancestrais: Deus só pode ser este misterioso e infinito Universo que nos gerou, mas um “Infinito de Consciência Pessoal”, que não pode ser identificado com as estrelas ou galáxias, porque a “Consciência” está par além delas de uma forma tão real e misteriosa como a nossa própria e pessoalíssima consciência.
Mas isto é pouco mais que um sonho e no cristianismo se chamou fé e tomou, precipitadamente, como certeza. Não faz mal nenhum que as pessoas vivam como certezas os seus sonhos, desde que respeitem as certezas e os sonhos dos outros.
Por causa deste sonho que fiz meu, comecei a valorizar o papel central das ciências neste mundo do século XXI. Elas procuram desvendar os mistérios da Vida e do Universo, porque tudo o que é mistério está dentro de nós e à nossa volta e não num qualquer “outro mundo” de fábula e superstição. É um mistério que está ao alcance do génio humano que, paulatinamente o “revelará”. Se alguma vez o irá conseguir é um sonho, não uma certeza da fé como “Palavra de Deus” ou “ Deus falou”..
Sei que isto é uma re-leitura do cristianismo da minha matriz cultural, diferente, por exemplo, de filosofias e teologias orientais, que identificam Deus com o Universo Impessoal. Estas propõem um “EU SOU”, mas tão esmagadoramente “Único” que anula tanto o meu “eu sou” como o “eu” do meu amor e do meu amigo. E a última coisa que eu quero perder na vida é a “identidade” do meu amor e dos meus amigos. É essa “identidade” que nos faz ser mais que um átomo, um ADN ou calhau.
A minha genuína admiração por Paulo de Tarso explica-se em grande parte pelo desassombro com que foi capaz de re-ler pela base o judaimso que tão bem conhecia e amava. Construiu o seu "evangelho" sobre a sua história e a sua cultura, abrindo uma nova esperança. Na minha linguagem “dessacralizada” eu diria “um novo sonho”.
Logo que acabe a leitura do “SÃO PAULO” do Pe Carreira das Neves vou trazer aqui o “evangelho de Paulo”, nítida e perturbadoramente diferente do evangelho de Tiago, Pedro e João. Tão perturbador, que as conclusões que o Pe Carreira das Neves vai tirando são contraditórias com o que ele próprio escreve. Quase me apetecia dizer que nem podia ser de outra maneira, sob pena de se provocar um verdadeiro tsunami sobre as igrejas cristãs. Todas. É tão radical o evangelho de Paulo, que até hoje não foi entendido como devia ser. De facto, ninguém leva a sério que amar a Humanidade é amar a Deus. E não devia nem podia haver equívocos, pois reza o Evangelho Segundo S. Paulo, que Deus fez-se homem em Jesus Cristo, assim divinizando a Humanidade.
A grande revolução do evangelho de Paulo de Tarso é que este não propõe um novo culto, depois de se abandonar todo o culto judaico (ou qualquer outro), porque Deus não precisa de nenhuma espécie de culto (Oh sacrílego Paulo!). O evangelho de Paulo é uma “história de amor” entre Deus e a Humanidade, que se inicia com a surpreendente e novíssima revelação de uma verdadeira declaração de amor de Deus à Humanidade, feita na Criação e na Ressurreição.
Digam-me lá se esta não é uma boa razão para eu amar o cristianismo em que me criei. Para não falar das catedrais, belíssimos testemunhos tanto do amor declarado como da confusão entre o vestido da noiva e o coração do noivo.

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