quinta-feira, 16 de junho de 2011

Morte Assistida II

Sinto que a nossa Polis está numa encruzilhada e que a partir daqui nada será como dantes. Os dados estão lançados e de novo as frágeis caravelas vão aventurar-se no mar alto. Resta saber se os tempos são propícios a estas aventuras.
O caminho percorrido para aqui chegar foi-se degradando até um ponto de quase não retorno. E não me estou a referir ao defice das contas públicas e privadas, porque com essas a Polis tem meios para lidar. Sempre tem, haja vontade.
Preocupa-me, sim, o resvalar persistente e descontrolado para o abismo da manipulaçâo das mentes, por quem tinha o cívico dever de as esclarecer. O poder económico sem pátria, sem rosto e sem outra moral e ética que não seja o lucro, e um lucro rápido e fácil, acabou por ter nas mãos todos os meios para ditar a sua lei selvagem. E fá-lo-á "democraticamente", depois de ter conseguido o controlo total dos media e das instituições de soberania da Polis.
As muralhas da Polis foram derrubadas e resta saber se ficará pedar sobre pedra. Democraticamente, o voto do povo, astuciosamente seduzido e ludibriado por Ulisses, introduziu na cidade cercada por todos os lados o imponente cavalo que escondia no no ventre a destruição e a morte.
Hoje, acordei assim. Não liguem. Foi apenas um sonho mau, um pesadelo mesmo, por uma ceia que me incomodou o fígado.

2 comentários:

  1. Vá Mário, lamentações não pagam dividas. Em última análise é a sociedade em que estamos inseridos e, de certa forma, ajudamos a construir. Compreendo a tua” indignação”, mas lembra-te quanto nos é difícil ser imparciais, quando julgamos não um individuo mas um amalgama de indivíduos, isto é, uma massa multiforme de ideias, de culturas, de interesses: uma sociedade. Aqui eu penso que a nossa íntima convicção nem sempre nos ajuda. Porque onde nós vemos claro, há outros que vêem escuro. E vice-versa.
    Ah! se soubéssemos qual a resposta verdadeira às perguntas que fazemos! Quando um pergunta e vários podem responder, está lançado o caos na comunicação.
    Tenho vontade de reler Platão, para revisar Sócrates e a sua dialéctica!

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  2. Querias algo diferente? Aponta aí uma lei da Física que gostasses de ter mudado, para o resultado ser diferente... o que está, está, amigo. Mudemos então a nossa forma de agir - ou não - tal como o ordenam o deterministo incontornável, ou a aleatoriedade incontrolável (à escolha do freguês). Dizias tu que tinhas acordado assim... vê lá tu o que eu tenho de aturar de mim mesmo, todas as manhãs!

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