Recebo muitos videos sobre Deus na minha caixa de correio-e, remetidos pelos meus amigos. Invariavelmente, nesses videos Deus é associado a belissimas paisagens, deslumbrantes exemplares da vida animal e gestos de amor e carinho de homens, mulheres e crianças.
Diriamos que a natureza em todo o seu esplendor nos aponta o verdadeiro "rosto de Deus".
Porém, não posso deixar de pensar no rasto de destruição e morte deixado por um terramoto, tsunami, vulcão ou furacão; no estertor da morte de uma presa nas garras do leão e na luta de morte pelo acasalamento que garante a vida futura.
Nunca ninguém associa Deus a estas realidades tão intensas e verdadeiras quanto a beleza do voo do condor no céu azul.
Este simples facto tão comum e, aparentemente, inócuo, pode ser suficiente para conduzir a um pensamento distorcido do que possa ser a Divindade.
Os nossos antepassados politeistas resolveram o problema imaginando um Deus diferente para cada situação. Havia o "Deus da guerra" e o "Deus da paz". Como havia o "Deus do bem" e o "Deus do mal".
Até que chegaram ao "Deus único" que tudo cria e a tudo preside. E será este o Deus que subsiste nestes nossos dias.
Apesar de "único" e transcendendo toda a nossa realidade, continuamos a associá-lo à vida do nosso mundo. E continuamos politeistas como os nossos longinquos antepassados, dando-lhe uma forma, de acordo com os nossos sentimentos e pensamentos.
Nos videos que recebo, dá-se-lhe o rosto da sabedoria e da beleza.
Não está mal, se pensarmos que Deus-é-tudo, mas nunca esqueçamos que falta "o outro lado", que consideramos "feio, destruidor e mau". Se quisermos ser tão honestos e verdadeiros como os nossos antepassados devemos aceitar que Deus também tem esse rosto terrivel...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
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Como todas as distinções, também essa é ilusória, em última análise - na mais última das análises!
ResponderEliminarTinha de deixar cá o beliscão... ;-)
E eu que há tanto tempo estava à espera do beliscão, não coma a dozela que saracoteia o rabo a provocar o incontrolável cio do DSK, mas como um pensamento solitário aguardando o beliscão do contraditório ou o prazer da sintonia harmoniosa. Porque, também "na última das análises", não procuro a guerra mas a paz...
ResponderEliminarEnfim! A Troyca foi-se embora e o Luis está de volta. Seja benvindo, pois já se estava a sentir a sua falta.
ResponderEliminarAh ah, a verdade é que tenho andado com pouco tempo, Lima. Quem dera poder estar em todo o lado ao mesmo tempo. Ou, pensando melhor, talvez esteja...? MAs chega de Zen. Mário, essa de procurares não a guerra mas a paz, dita a quem acaba, há minutos, de ver o filme Guerra e Paz, dá que pensar!... haverá coincidências? E com esta salto directamente para a milagrosa visão de uma auréola solar, fenómeno mais frequente que os arco-íris, mas que precisei de esperar pelo 13 de Maio passado para que tal aparição me desvelasse, finalmente, o Verdadeiro Segredo de Fátima. Ao ver na TV a devota de telemóvel na mão gritando "Alzira," (ou equivalente - há nomes equivalentes) "é um milagre! um milgre!" e a chorar, palavra que era Fátima de há cem anos por uma pena, salvo justamente o telemóvel.
ResponderEliminarAinda por causa da guerra e paz, ouvi há dias, de um filme qualquer, acerca de um outro binómio "o bem e o mal" que na natureza tal não existe. Existe, sim, o equilibrio e o desiquilibrio...
ResponderEliminarO bem e o mal ou a guerra e a paz são criações do homem. Não sei é se por este facto deixarão de ser menos realidade. Até poderiamos dizer que a natureza, nós incluidos, procura o equilibrio e o homem procura a harmonia. Seriamos, verdadeiramente, uma espécie de "dois em um": o equilibrio da natureza e a harmonia da nossa criatividade. Para complicar um pouquinho, porque assim era fácil demais, só a mente consciente se apercebe do equilibrio e da harmonia de que estamos a falar.
Sobre os milagres do sol, este e os outros todos, considero imensamente mais extraordinárias as explosões nucleraes que são o pulsar do seu coração até ao esgotamento e morte...
ResponderEliminarDe qualquer modo,e para que não me considerem um irredutivel incréu, sempre vou dizendo, convictamente, que passarei a acerditar em milagres no dia em que vir um homem ir a Fátima com uma perna só e vir de lá com duas "novinhas em folha". Não vale o milagre da ciencia de uma prótese milagrosa. Tem que ser mesmo consequencia directa da romaria e do pedido à Virgem.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarEntão, ainda por causa da guerra e da paz, comprei há dias o filme "Nem Guerra nem Paz" do Woody Allen, cujo tema central é o existencialismo (tal como acabo de ler numa review ao filme na Amazon): até Nietzsche, proclamando a morte de Deus, rejeita a ideia da ausência de valores! (eu aí era capaz de chamar conservador ao Nietzsche... ainda não sei...).
ResponderEliminarFico-me pela questão de Sonja a Boris:
Sonja: - "Se não existe Deus, porque não te matas?"
Boris: - "Não vamos pôr-nos todos histéricos por causa disso."