segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Herança

A propósito da "herança" que vamos deixar para os filhos e netos, referida pelo Lima na caixa de comentários ao post anterior, preocupa-me particularmente um planeta degradado. Custa-me, aqui em Balugães, ver o "meu" rio Neiva quase um deserto de vida, onde em criança via grandes cardumes de "barbos", nos sítios de águas mais profundas. Os mesmos fertilizantes e desinfestantes que permitem boas colheitas, também matam a fauna e a flora dos rios ou poluem as águas das fontes.
A ciência proporciona um progresso tão atabalhoado quanto o dinheiro da UE (CEE )proporcionou um crescimento descontrolado da nossa economia.
Habituei-me a ver crescer estradas e auto-estradas, recuperações fabulosas de muitos "solares" e casas antigas, de centros históricos. As vilas e cidades ganharam uma cara nova, ressurgindo de paredes velhas e telhados rotos. Abriram-se valas para saneamento de imensas aldeias e a Tv por cabo ou por satélite chegou a todo o lado. As universidades debitam constantemente licenciados e doutores, a informatização acelerou nas empresas, primeiro; no Estado, finalmente.
Vamos deixar aos filhos um país que seria irreconhecível para os nossos pais e avós.
Foi tudo muito depressa? Foi demais? Estragamos o ambiente? Mimamos demasiado os filhos? Endividamo-nos?
Fizemos tudo isso, com certeza. E não fomos capazes de fazer melhor.
Fiz disparates na minha vida, mas não me culpo por isso, porque tenho consciência que fiz como podia e como sabia. Se faria tudo do mesmo jeito? Nem pensar. Só que não se vive duas vezes e a pedra, uma vez arremessada, segue, inevitavelmente, a sua trajectória sem retorno. Resta-nos o lenitivo de saber que podemos fazer diferente, porque agora sabemos e podemos o que antes não soubemos e nem pudemos.

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