Às vezes convenço-me que ainda mal acabamos de ensaiar a saída de um certo obscurantismo filosófico e teológico e já entramos a fundo no obscurantismo político. Qualquer coisa como ir deixando para trás a "verdade-mentira" que medra no culto aos deuses e na moral que os mesmos deuses determinam, entrando na pântano da "verdade politica", cozinhada nos interesses das nações, dos governantes e dos que detêm o poder económico e judicial.
Contra qualquer destes obscurantismos, que atrasam o desenvolvimento da vida da Polis, eleva-se cada vez mais a verdade do conhecimento.
A ciência rasga, quase silenciosamente, os caminhos da verdade.
Acusam-me de ser um optimista. E sou e sem emenda. As minhas leituras preferidas, não únicas, são as que me proporcionam os "antónios damásios" destes tempos emocionantes de revelações cientificas. Venero-os, não tenho vergonha de o confessar, como na juventude me ajoelhei perante as "verdades sagradas" da minha fé. Respeito esse passado duas vezes, porque dele parti ao encontro da verdade cientifica. São duas fases da minha vida, como as duas fases da própria história da humanidade. Onde muitos querem ver contradição, eu prefiro realçar a progressão. Fui tão humano enquanto me orientei pelas verdades da fé como sou agora com a verdade da ciência. Cada fase tem o seu tempo próprio e o que me leva a deixar este testemunho é, antes de mais, a convicção de que segui o caminho de uma evolução possivel. Outros terão outra. Se acharem que, perante o testemunho que vos for dando, alguma coisa vos possa aproveitar, sentirei que valeu a pena gastar um pouco do meu tempo neste blog. Ficarei atento ao que de vocês vier, na esperança de aprofundar a minha progressão.
Não me convidem, isso não, porque é perda de tempo, a repetir o passado, sugerindo-me o regresso às "verdades religiosas" da minha juventude. Retroceder nunca foi o movimento espontâneo da vida.
Antes morrer que voltar para trás, diria, se pudesse, um velhinho sobreiro de 300 anos.
segunda-feira, 21 de março de 2011
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Duas fases da vida, duas filosofias opostas e o mesmo ADN motor. Eu que te conheci há cinquenta anos posso confirmá-lo. A mesma fé, a mesma força de convicção, o mesmo entusiasmo que te animavam na juventude, quando o ideal era a alma e os mistérios irracionais, encontro-os agora, intactos, com o mesmo vigor e acutilância, mas tendo efectuado uma rotação de 180°.
ResponderEliminarBom, é certo que só os imbecis é que não mudam de opinião.
Mas o bicho do questionamento faz-me comichão nas orelhas e ouço outra vez a frase de Spinoza, que te citei num dos meus últimos comentários: “... o homem tem consciência das suas acções, mas não das suas causas...”
Afinal talvez seja simplesmente o resultado do determinismo “ ADénico” !
A minha intenção ao iniciar esta "série" é assinalar as descobertas da ciencia, quando elas suplantam e destroem o mito. Convido-vos a reportá-las, que estou ávido de as conhecer.
ResponderEliminarParafraseando Espinosa, nós sabemos o que estamos a fazer, mas não sabemos porquê. Gostava de saber, nem que seja mais um pouquinho.