sábado, 13 de novembro de 2010

O Silêncio Fecundo

O silêncio é fecundo hoje, como já foi ontem e desde que o homem atingiu a elevação do pensamento consciente. Do alto, olhou o presente, o passado e o futuro possível ou projectado. Apesar do ruído, que foi ensurdecedor em todas as épocas, assumindo sempre formas de expressão diferentes, desde os electrizantes batuques da savana africana até ao ruído infernal das arenas em combates de morte, o homem sempre soube encontrar os seus tempos de recolhimento. Chego a ficar comovido quando penso nas dezenas ou centenas de milhares de investigadores dedicados e que respeitam apenas o horário da sua paixão pelo conhecimento, ano após ano, nos mais diversos ramos da pesquisa cientifica ou meditação filosófica. Se não estivermos atentos, este mundo maravilhoso passa-nos tão despercebido quanto o génio do nosso Camões foi ignorado pelos seus contemporâneos.
O estardalhaço dos foguetes ou da música pimba não são mais que o ruído normal provocado pelos nossos passos, enquanto avançamos no caminho íngreme e pedregoso de um futuro que vamos sonhando.
Se o Intrometido pode falar do escândalo da sua alma quieta, eu venho aqui, uma vez e outra, com o escândalo de uma alma inquieta, mas, estranha e paradoxalmente, em paz com a vida que amo e me amou primeiro.

( publicado em aaacarmelitas)

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